
REUTERS/Ricardo Moraes
Uma semana após a megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, os balanços oficiais sobre as perícias dos mortos seguem inconclusivos. Enquanto a Polícia Civil ainda falta confirmar as identidades de duas pessoas, a Defensoria Pública do Estado confirmou que todos os 117 corpos foram identificados e liberados pelo Instituto Médico-Legal (IML), encerrando oficialmente o trabalho pericial de identificação.
Em nota, a Defensoria informou que continua acompanhando o caso e prestando assistência jurídica e social às famílias das vítimas. “Todos os corpos foram liberados, e a perícia do Instituto Médico-Legal foi oficialmente encerrada. A Instituição segue acompanhando o caso e prestando assistência às famílias”, declarou o órgão.
A operação, considerada a mais letal da história do Rio, mobilizou mais de mil agentes de diferentes forças de segurança, entre policiais civis, militares e federais. Segundo a Polícia Civil, 115 mortos foram identificados até o fim da última semana. Cinco nomes da primeira lista divulgada pela corporação foram posteriormente retirados, após revisão das informações e cruzamento de dados periciais.
Segundo a Polícia Civil, mais de 95% dos identificados tinham ligação comprovada com o Comando Vermelho (CV) e 54% eram naturais de outros estados. Apenas dois laudos resultaram em perícias inconclusivas.
O trabalho de inteligência da cúpula de Segurança Pública do estado apontou que 59 mortos tinham mandados de prisão pendentes, pelo menos 97 apresentavam históricos criminais relevantes, e dos 17 sem histórico criminal, 12 apresentavam indícios de participação no tráfico em redes sociais.
O levantamento também detalhou a origem dos neutralizados de outros estados:
- Pará: 19
- Amazonas: 9
- Bahia: 12
- Ceará: 4
- Paraíba: 2
- Maranhão: 1
- Goiás: 9
- Mato Grosso: 1
- Espírito Santo: 3
- São Paulo: 1
- Distrito Federal: 1
Divergências
O impasse entre a Defensoria Pública e a Polícia Civil marca o caso desde os primeiros dias da operação. Enquanto a Defensoria afirmava que o número de mortos chegava a 132, com base em informações repassadas por familiares e registros hospitalares, a Polícia Civil mantinha a contagem oficial de 64 óbitos, número que foi sendo atualizado ao longo da semana até alcançar o total de 117 corpos confirmados.
Entidades de direitos humanos e organizações civis cobram transparência sobre o número exato de vítimas e as circunstâncias dos confrontos. A Defensoria Pública também solicitou acesso integral aos laudos cadavéricos e aos registros de entrada e saída dos corpos no IML, como parte do acompanhamento jurídico às famílias.
Moradores da região e familiares das vítimas relataram dificuldades no reconhecimento dos corpos e criticaram a demora na divulgação das informações oficiais.
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