Band Jornalismo

Uma semana após megaoperação, perícia sobre mortos ainda é inconclusiva no Rio

A Polícia Civil e a Defensoria Pública do estados divulgaram balanços diferentes sobre a identidade dos mortos na ação

Da redação
DA REDAÇÃO

03/11/2025 • 18:12 • Atualizado em 03/11/2025 • 18:12

REUTERS/Ricardo Moraes

Uma semana após a megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, os balanços oficiais sobre as perícias dos mortos seguem inconclusivos. Enquanto a Polícia Civil ainda falta confirmar as identidades de duas pessoas, a Defensoria Pública do Estado confirmou que todos os 117 corpos foram identificados e liberados pelo Instituto Médico-Legal (IML), encerrando oficialmente o trabalho pericial de identificação.

Compartilhar

Em nota, a Defensoria informou que continua acompanhando o caso e prestando assistência jurídica e social às famílias das vítimas. “Todos os corpos foram liberados, e a perícia do Instituto Médico-Legal foi oficialmente encerrada. A Instituição segue acompanhando o caso e prestando assistência às famílias”, declarou o órgão.

A operação, considerada a mais letal da história do Rio, mobilizou mais de mil agentes de diferentes forças de segurança, entre policiais civis, militares e federais. Segundo a Polícia Civil, 115 mortos foram identificados até o fim da última semana. Cinco nomes da primeira lista divulgada pela corporação foram posteriormente retirados, após revisão das informações e cruzamento de dados periciais.

Segundo a Polícia Civil, mais de 95% dos identificados tinham ligação comprovada com o Comando Vermelho (CV) e 54% eram naturais de outros estados. Apenas dois laudos resultaram em perícias inconclusivas.

O trabalho de inteligência da cúpula de Segurança Pública do estado apontou que 59 mortos tinham mandados de prisão pendentes, pelo menos 97 apresentavam históricos criminais relevantes, e dos 17 sem histórico criminal, 12 apresentavam indícios de participação no tráfico em redes sociais.

O levantamento também detalhou a origem dos neutralizados de outros estados:

  • Pará: 19
  • Amazonas: 9
  • Bahia: 12
  • Ceará: 4
  • Paraíba: 2
  • Maranhão: 1
  • Goiás: 9
  • Mato Grosso: 1
  • Espírito Santo: 3
  • São Paulo: 1
  • Distrito Federal: 1

Divergências

O impasse entre a Defensoria Pública e a Polícia Civil marca o caso desde os primeiros dias da operação. Enquanto a Defensoria afirmava que o número de mortos chegava a 132, com base em informações repassadas por familiares e registros hospitalares, a Polícia Civil mantinha a contagem oficial de 64 óbitos, número que foi sendo atualizado ao longo da semana até alcançar o total de 117 corpos confirmados.

Entidades de direitos humanos e organizações civis cobram transparência sobre o número exato de vítimas e as circunstâncias dos confrontos. A Defensoria Pública também solicitou acesso integral aos laudos cadavéricos e aos registros de entrada e saída dos corpos no IML, como parte do acompanhamento jurídico às famílias.

Moradores da região e familiares das vítimas relataram dificuldades no reconhecimento dos corpos e criticaram a demora na divulgação das informações oficiais.

Tópicos relacionados