
União Europeia
Arquivo/Reuters
Nesta terça-feira, União Europeia e Índia celebram o acordo de livre comércio entre o país asiático e o bloco. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, encontram-se com o premiê indiano, Narendra Modi, para celebrar a conclusão das tratativas que levaram 20 anos. O tratado cria uma zona de livre comércio de quase 2 bilhões de pessoas, o que representa em torno de 25% do PIB e um terço do comércio mundial.
Produtos europeus como veículos, vinhos, bebidas e alimentos serão amplamente beneficiados. Para carros e caminhões, por exemplo, as tarifas que chegavam a 110% terão uma redução substancial para 10%. Já a Índia se beneficia principalmente no setor de serviços para o bloco, incluindo tecnologia — como os data centers —, além de produtos têxteis, calçados e químicos.
O comércio bilateral entre o bloco e o país já vinha aumentando: em 10 anos, o crescimento foi de cerca de 90%. Em 2024, o montante chegou a 120 bilhões de euros (aproximadamente 750 bilhões de reais), e a aposta é que, a partir de agora, estes números cresçam muito mais.
A ascensão da Índia no cenário global
A Índia é hoje o país mais populoso do planeta, com cerca de 1,5 bilhão de habitantes, e tem crescido mais de 8% ao ano. Até o fim do ano, o país deve se tornar a quarta economia mundial, atrás apenas de Estados Unidos, China e Alemanha — mas o governo indiano quer mais: o objetivo é chegar ao topo até 2030.
A nova geopolítica mundial vem facilitando o fechamento destes acordos. Os países tentam se proteger das práticas comerciais chinesas e da nova política americana de Trump, que utiliza a tática da pressão das tarifas. Recentemente, vimos o bloco europeu assinando também o acordo com o Mercosul após 25 anos.
Oportunidade para o Brasil
O Brasil — que, assim como a Índia, faz parte do Brics — também aposta em Nova Délhi. O comércio bilateral em 2024 foi de cerca de 12 bilhões de dólares, e em 2025 houve um crescimento de 30%. Os produtos brasileiros mais exportados para a Índia são combustíveis, minérios e itens do agronegócio, como algodão e açúcar.
O governo brasileiro quer ampliar esses horizontes. O presidente Lula fará, em meados de fevereiro, uma visita oficial ao país com uma comitiva de empresários. Na pauta estão comércio, investimentos, energia, biocombustíveis, cooperação tecnológica e a expansão de acordos entre o Mercosul e a Índia. O Brasil abre o olho e não quer ficar fora do potencial indiano, o mercado que mais cresce no mundo.
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