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Unicamp tem cota para pessoas trans e indígenas; saiba como funciona

Universidade reserva vagas para pessoas trans no Enem-Unicamp e mantém processo seletivo específico para povos originários

Da redação
DA REDAÇÃO

23/10/2025 • 18:03 • Atualizado em 23/10/2025 • 18:03

Unicamp tem cota para pessoas trans e indígenas; saiba como funciona

Unicamp tem cota para pessoas trans e indígenas; saiba como funciona

Thomaz Marostegan/Unicamp

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) detalhou seus processos de ação afirmativa para o ingresso em 2026, confirmando modalidades específicas para candidatos indígenas e para pessoas trans, travestis ou não binárias.

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Enquanto os povos originários contam com um vestibular próprio, a reserva para trans, travestis ou não binárias será aplicada dentro da seleção via Enem-Unicamp.

A principal novidade está no processo Enem-Unicamp 2026, que destinará parte de suas 425 vagas totais para candidatos que se autodeclarem trans, travestis ou não binários. A informação foi divulgada pelo Portal Unicamp, com base no edital específico desta modalidade de ingresso.

Para concorrer a esta reserva, o candidato deve, no momento da inscrição, realizar a autodeclaração optando pela cota. Além disso, o edital exige a anexação de um "relato de vida".

Este documento, segundo a universidade, é fundamental para o processo de validação. Nele, o participante deve descrever sua "trajetória da transição de gênero e o processo de afirmação da identidade".

Comissão de verificação analisará 'relato de vida'

A análise do "relato de vida" não será automática. O material será submetido a uma Comissão de Verificação específica, designada pela Comvest (Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp).

A Unicamp estabelece que esta comissão deverá incluir, obrigatoriamente, ao menos uma pessoa que também se identifique como trans, travesti ou não-binária. O objetivo é garantir a lisura e a compreensão adequada das trajetórias apresentadas pelos candidatos.

Um diferencial importante desta ação afirmativa, conforme aponta o edital do Enem-Unicamp, é a sua abrangência. Diferente de outras modalidades de cotas, os candidatos a esta reserva de vagas podem concorrer mesmo que não tenham cursado o ensino médio integralmente em escolas da rede pública.

A política para pessoas trans se soma a outra importante frente de inclusão já consolidada na universidade: o ingresso de estudantes de povos indígenas.

Vestibular Indígena segue como processo separado

A Unicamp mantém um processo seletivo inteiramente dedicado a esta população, o "Vestibular Indígena". Esta modalidade funciona de forma separada do vestibular tradicional (Vestibular Unicamp) e da seleção via Enem.

Conforme consta no Manual do Ingresso 2026, divulgado pela Comvest, este vestibular oferece um total de 59 vagas regulares. Além disso, há a possibilidade de 71 vagas adicionais, distribuídas entre os diversos cursos de graduação da universidade.

O manual de 2026 esclarece que o Vestibular Indígena é uma das diferentes formas de entrada na graduação, assim como o Vestibular Unicamp tradicional, o Enem-Unicamp, as Vagas Olímpicas e o "Profis", um programa voltado a alunos de escolas públicas de Campinas.

É crucial notar a distinção entre os dois principais processos de inclusão racial e de gênero. A reserva para pessoas trans, travestis e não binárias é uma modalidade dentro do processo Enem-Unicamp, que utiliza a nota do Exame Nacional do Ensino Médio como critério de classificação.

Já o Vestibular Indígena é um exame próprio, com regras, calendário e provas específicas, desenhado para atender às particularidades dos candidatos de povos originários.

A universidade busca, com essas diferentes portas de entrada, ampliar a diversidade de seu corpo discente e reparar desigualdades históricas no acesso ao ensino superior público.

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