
Vacinas
Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Um estudo de fase 2 trouxe resultados promissores no combate ao melanoma, a forma mais agressiva de câncer de pele. De acordo com o levantamento, o uso de um imunizante terapêutico pode reduzir em até 49% o risco de recorrência da doença ou de morte em pacientes com quadros avançados.
A pesquisa acompanhou 157 pacientes com melanoma em estágio 3 ou 4 durante cinco anos. Todos os participantes haviam passado por cirurgia para retirada completa do tumor antes de iniciar o tratamento experimental.
Tecnologia de mRNA e resultados preliminares
O imunizante, chamado intismeran, utiliza a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) — a mesma base das vacinas contra a Covid-19. No estudo, parte dos pacientes recebeu a vacina em conjunto com o medicamento pembrolizumabe (Keytruda), enquanto o grupo de controle foi tratado apenas com o remédio.
O oncologista Antonio Buzaid, cofundador do Instituto Vencer o Câncer, explica que as vacinas terapêuticas atuam estimulando o sistema imunológico via aplicação intramuscular. Embora os dados sejam positivos, o especialista ressalta que os resultados ainda são preliminares.
"Se um estudo de fase 3 confirmar esses resultados, esse tipo de vacina deve ser aprovado para melanoma e, possivelmente, outros tipos de câncer", avalia Buzaid. O recrutamento para a fase 3 do ensaio clínico já foi concluído pelas farmacêuticas Moderna e Merck (MSD), patrocinadoras da pesquisa.
O que é o melanoma e como identificar
O melanoma tem origem nos melanócitos, as células responsáveis pela cor da pele, e possui alto potencial de metástase (espalhamento para outros órgãos). A detecção precoce é essencial e segue a regra internacional do "ABCDE":
Assimetria: Metades do sinal são diferentes.
Bordas irregulares: Contornos mal definidos.
Cor variável: Várias cores na mesma lesão (preto, castanho, azul, etc).
Diâmetro: Maior que 6 milímetros.
Evolução: Mudanças de tamanho, forma ou cor ao longo do tempo.
Prevenção e proteção solar
O principal fator de risco para o desenvolvimento da doença é a exposição excessiva à radiação ultravioleta. Especialistas reforçam que o dano solar é cumulativo, o que torna o uso de protetor solar e medidas de proteção indispensáveis desde a infância.
Até o momento, os resultados do estudo de fase 2 ainda não foram publicados em revistas científicas com revisão por pares, mas as farmacêuticas já realizam testes para avaliar a eficácia da vacina em outros tipos de tumores.
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