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Vai zarpar a Flotilha Nuestra América com socorro à Cuba

Se a proibição dos EUA é de petróleo, e dois navios mexicanos já desembarcaram 800 toneladas de alimentos em Cuba, a Flotilha Nuestra América tem chances de atracar em Havana, sem pertencer a nenhum país que poderia se tornar alvo de sanções punitivas trumpistas

Por Redação
REDAÇÃO

15/02/2026 • 17:13 • Atualizado em 15/02/2026 • 17:13

Moises Rabinovici
Vai zarpar a Flotilha Nuestra América com socorro à Cuba

Vai zarpar a Flotilha Nuestra América com socorro à Cuba

Reuters

A Flotilha Nuestra América vai socorrer Cuba, em março, zarpando de portos no Mar do Caribe e no Golfo do México, inspirada nas flotilhas que tentaram furar o bloqueio de Gaza por Israel. Pergunta sem resposta: Qual será a reação do imprevisível presidente Donald Trump? Ele já declarou que quer a mudança do regime cubano até o final de 2026.

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Se a proibição dos EUA é de petróleo, e dois navios mexicanos já desembarcaram 800 toneladas de alimentos em Cuba, a Flotilha Nuestra América tem chances de atracar em Havana, sem pertencer a nenhum país que poderia se tornar alvo de sanções punitivas trumpistas. E a carga consistiria apenas de alimentos, remédios e suprimentos essenciais.

Ativistas que desafiaram o bloqueio de Israel no Mediterrâneo estão ajudando na organização da Nuestra América, “em solidariedade”, e prometem estar a bordo. A última flotilha, Global Sumud, com 40 barcos, contou com a sueca defensora do clima Greta Thunberg, a atriz americana Susan Sarandon, a ex-prefeita de Barcelona Ada Colau e o ator irlandês Liam Cunningham. Celebridades são importantes para aumentar a visibilidade midiática e o custo político de uma repressão, caso Trump proclame: “No passarón”.

A Rússia disse que vai enviar “combustíveis” como auxílio emergencial aos cubanos. Mas não deu data. A China reafirmou sua solidariedade e prometeu ajuda humanitária. Também sem data. O Chile e o Brasil estão avaliando como socorrer Cuba, mas não definiram qual a ajuda, a data e como a entregarão. A ONU alerta que a atual situação poderá evoluir para uma crise humanitária mais ampla, afetando água, alimentação e serviços básicos, segundo o Wall Street Journal.

No bloqueio naval dos EUA à Venezuela, petroleiros foram interceptados e vários barcos bombardeados, com mais de 100 mortos, sob alegação, não comprovada, de que transportavam drogas. Não há bloqueio naval em torno de Cuba – e, sim, décadas de sanções econômicas, agora agravadas com o fim do fornecimento do petróleo venezuelano, que supria 80% das necessidades do país.

Os cubanos sob apagão diário de 20 horas, com os transportes limitados, combustível de aviação esgotado, escolas fechando, racionamento intenso e hospitais em crise aguda, o presidente Miguel Diaz-Canel equiparou o embargo de petróleo pelos EUA a “terrorismo” e conclamou a população “a defender a revolução”. A situação é pior que ao tempo do “Período Especial” da década de 90, com o desmonte da União Soviética.

Mas Diaz-Canel acenou a Trump, dizendo estar aberto ao diálogo desde que sem pressões unilaterais e com respeito à soberania. O jornal espanhol El Pais revelou que há conversas discretas em andamento. Mas o chanceler cubano Carlos Fernández de Cossio as desmentiu, reduzindo-as a “troca de mensagens”.

Inevitável: os jornais já publicam reportagens sobre o fim de Cuba. Mas o professor Juan Triana, do Centro para Estudo da Economia Cubana, na Universidade de Havana, acha as previsões prematuras, lembrando ao jornal New York Times: “Todos olharam para Cuba esperando que ela caísse, e perderam a aposta. Presidente após presidente dos Estados Unidos perdeu essa aposta.” E isso desde 1959, quando a Revolução Cubana derrubou o ditador Fulgencio Batista

A estratégia de agora é de um secretário de Estado com origem cubana, e duríssimo contra o regime, Marco Rubio. Um de seus assessores explicou que, para haver diálogo, o ponto de partida seria permitir partidos políticos competindo entre si, a mesma receita imposta ao governo interino da Venezuela.

A Flotilha Nuestra America já tem um porto na internet. Uma coalizão global de partidos, sindicatos e movimentos sociais, a Progressive International, é a principal força organizadora da flotilha. Entre os que a apoiam estão o CODEPINK, grupo americano de esquerda, e The People’s Forum, que é uma rede de ONGs civis nas Américas. Os políticos escalados para dar declarações públicas são a deputada colombiana María Fernanda Carrascal e a congressista americana Rashida Tlaib.

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