Eleições 2026Contagem regressiva para o 2º turno
0dias
:
04horas
:
29min
:
52seg
Brasil

Veja o que muda na lei após a aprovação do texto-base do PL Antifacção

Projeto estabelece a definição de organizações criminosas ultraviolentas e aumenta as penas; texto segue para análise no Senado

3 min

19/11/2025 01:23 • Atualizado há 339 dias

Veja o que muda na lei após a aprovação do texto-base do PL Antifacção

A Câmara dos Deputados aprovou, após uma longa negociação, o texto-base do Projeto de Lei Antifacção. A aprovação ocorreu nesta noite, vindo depois de um processo legislativo complexo que envolveu a apresentação de seis versões do relatório, a cargo do deputado Guilherme Derrite. A versão final foi incluída no sistema pouco antes do início da discussão em plenário.

Continua depois da publicidade

Apesar de o relator ter incorporado diversas mudanças que atendiam a pedidos do Governo, a aprovação foi marcada por críticas sobre a falta de diálogo. Tanto o Governo quanto a Oposição alegaram que o debate foi insuficiente. Por sua vez, o deputado Guilherme Derrite rebateu as críticas, alegando que não foi procurado para discutir o texto.

O deputado Hugo Motta também se manifestou após a votação, afirmando que "não é função da Câmara carimbar o texto do Governo", sinalizando a autonomia do Legislativo na votação do projeto.

Principais alterações e o que muda na lei

O PL Antifacção traz modificações significativas na legislação de combate ao crime organizado e a crimes violentos. O projeto estabelece a definição de organizações criminosas ultraviolentas e promove o endurecimento da progressão de regime de pena para os membros desses grupos.

Continua depois da publicidade

As principais alterações aprovadas incluem:

  • Aumento de Penas: As penas passam a oscilar entre 20 a 40 anos de reclusão. Para lideranças de grupos criminosos com agravantes, as penas podem ultrapassar os 60 anos.
  • Crimes Hediondos: Todos os crimes previstos no âmbito da lei passam a ser tratados como hediondos, o que impõe um regime de cumprimento de pena mais rigoroso e restrições na progressão.
  • Audiência de Custódia: O projeto estabelece que a audiência de custódia deverá ser realizada prioritariamente por videoconferência. Para viabilizar essa medida, os presídios deverão ser equipados com salas específicas e tecnologia para o procedimento.

Destinação de recursos e bloqueio de bens

A principal alteração inserida no relatório busca viabilizar um acordo com a base do governo e diz respeito à destinação financeira dos bens apreendidos de organizações criminosas. O objetivo é asfixiar o poderio econômico das facções através de regras mais claras para o uso desse dinheiro.

Pelo novo texto, os recursos obtidos em operações terão destinos diferentes conforme a origem da investigação:

Continua depois da publicidade

  • Investigações da Polícia Federal: Os valores confiscados serão integralmente destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública.
  • Investigações Locais (Polícia Civil): Quando a apuração for conduzida pelas polícias estaduais, os recursos serão remetidos aos respectivos fundos estaduais de segurança.

Outro ponto de destaque no projeto envolve a autonomia de órgãos de controle fiscal e financeiro. A proposta estipula que instituições como a Receita Federal e o Banco Central terão permissão para continuar a reter, apreender e confiscar bens de origem suspeita. Essa ação administrativa poderá ocorrer sem a necessidade prévia de uma decisão judicial, visando agilizar o bloqueio de capitais ilícitos.

Além das questões financeiras, o projeto de lei assegura a participação do Ministério Público em forças-tarefas criadas especificamente para investigar facções criminosas, buscando maior integração entre as instituições de justiça e segurança.

É importante ressaltar que o texto aprovado não promoveu alterações na Lei Antiterrorismo nem nas competências da Polícia Federal, um ponto que era de interesse do Governo, mas que foi mantido inalterado pelo relator.

Continua depois da publicidade

O projeto, agora aprovado na Câmara, segue para tramitação no Senado Federal. O relator da matéria na Casa será o senador Alessandro Vieira, que é considerado uma figura independente, tanto em relação ao Governo quanto à Oposição, o que pode indicar que o texto ainda passará por intensos debates e possíveis modificações antes da votação final.

Tópicos relacionados

Veja o que muda na lei após a aprovação do texto-base do PL Antifacção