
Lula e ministros
Agência Brasil
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se prepara para uma reforma ministerial em série motivada pelo prazo legal de desincompatibilização. Até o mês de abril, conforme exige a legislação eleitoral, ao menos 17 ministros devem deixar seus cargos para concorrer no pleito, transformando a Esplanada em um trampolim para ampliar a base aliada.
O Palácio do Planalto planeja usar essas candidaturas de forma estratégica. Um dos focos principais é aumentar a presença do PT e de partidos aliados no Senado Federal e na Câmara dos Deputados, fortalecendo a governabilidade e enfrentando movimentos da oposição no Legislativo.
Os nomes cotados para a disputa eleitoral
Diversos ministros de pastas estratégicas já sinalizaram ou foram orientados pelo presidente a preparar a saída. Confira os principais nomes:
Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais): Deve disputar o Senado pelo Paraná. A mudança atende a um pedido de Lula para enfrentar o plano da oposição de formar maioria na Casa.
Fernando Haddad (Fazenda): O presidente deseja que ele concorra ao Senado ou ao Governo de São Paulo, embora o ministro tenha declarado que não pretendia se candidatar.
Rui Costa (Casa Civil): Um dos principais auxiliares de Lula, é cotado para o Senado ou para retornar à corrida pelo governo da Bahia.
Simone Tebet (Planejamento): Planeja disputar o Senado, possivelmente por São Paulo, devido ao cenário conservador em seu estado natal, Mato Grosso do Sul.
Anielle Franco (Igualdade Racial): Deve disputar, pela primeira vez, uma vaga na Câmara dos Deputados.
Renan Filho (Transportes): Confirmou que deixará o governo para concorrer ao comando do estado de Alagoas.
Carlos Fávaro (Agricultura): Planeja concorrer novamente a uma vaga no Senado pelo Mato Grosso.
Sônia Guajajara (Povos Indígenas): Trabalha para tentar a reeleição como deputada federal por São Paulo.
Marina Silva (Meio Ambiente): É citada como possível candidata ao Senado por São Paulo.
Outras movimentações e pressões regionais
O desenho eleitoral também envolve o vice-presidente Geraldo Alckmin. Mesmo que permaneça na chapa presidencial, ele terá de deixar o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Há ainda a possibilidade de Alckmin ser lançado ao governo de São Paulo, caso Tarcísio de Freitas decida concorrer à Presidência.
No grupo que já comunicou a intenção de deixar o cargo estão também Jader Filho (Cidades), visando a Câmara pelo Pará; André de Paula (Pesca); Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos); e Waldez Góes (Integração).
A primeira-dama, Janja Silva, defende a candidatura de Margareth Menezes (Cultura) para deputada federal. Já o ministro Camilo Santana (Educação) sofre pressão para disputar o governo do Ceará, embora afirme que deve permanecer para apoiar a reeleição do atual governador.
Sucessão nas pastas
Para garantir a continuidade dos trabalhos, a tendência é que as cadeiras vazias sejam ocupadas pelos atuais secretários-executivos. Na Fazenda, Dario Durigan é o mais cotado; na Casa Civil, a vaga deve ficar com Miriam Belchior; e nas Relações Institucionais, o diplomata Marcelo Costa é o nome natural para a sucessão.
O único afastamento que não obedece ao prazo de abril é o de Sidônio Palmeira (Secom). Por não disputar cargo eletivo, ele deixará a secretaria apenas para coordenar a campanha de reeleição de Lula.
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