
Verão 2025/2026
Reuters
Resumo
Previsão do verão 2025/2026 indica temperaturas acima da média, chuvas irregulares e influência do fenômeno La Niña, que deve impedir ondas de calor extremo, mas pode causar tempestades intensas, com início da estação no dia 21.
Análise de meteorologistas aponta baixa probabilidade de ciclones extratropicais no verão, pois são fenômenos típicos dos períodos frios, enquanto as chuvas devem ser concentradas e acompanhadas por frentes frias e variações bruscas de temperatura.
Especialistas como Francisco Aquino, Marcelo Seluchi e Karina Lima destacam a raridade de ciclones extratropicais fora das estações frias, mas alertam para o aumento da frequência de eventos climáticos extremos devido às mudanças climáticas globais.
O verão 2025/2026 deve ser marcado por temperaturas um pouco acima da média e distribuição irregular de chuvas, eventualmente intensas. A estação estará sobre a influência do fenômeno La Niña, o que deve impedir ondas de calor extremo, mas pode trazer tempestades. A nova estação começa no próximo dia 21.
A probabilidade da ocorrência de ciclones extratropicais no verão é baixíssima, segundo climatologistas; trata-se de um fenômeno típico dos períodos mais frios do ano.
A ocorrência de um ciclone extratropical em São Paulo no fim da primavera, como o de quarta, 10, é algo raríssimo, segundo especialistas. No entanto, diante das mudanças provocadas pelo aquecimento global, é difícil fazer previsões com 100% de certeza.
La Niña
Análise técnica elaborada por meteorologistas do Centro de Gerenciamento de Emergências da Defesa Civil de São Paulo indica que a estação será influenciada pelo fenômeno La Niña, com previsão de persistência até o fim do verão.
Em anos de La Niña, as chuvas tendem a se deslocar do Sul para o Sudeste. Há possibilidade de episódios de zona de convergência do Atlântico Sul (ZCAS), que podem provocar dias de muita chuva no norte paulista.
As chuvas devem ocorrer de forma concentrada, geralmente associadas a passagem de frentes frias, o que pode gerar pancadas intensas em períodos curtos.

Verão deve ter menos ondas de calor, mas muitas tempestades (Foto: Edrian Santos)
A influência da La Niña pode trazer variações bruscas de temperatura, com eventuais entradas de ar mais frio. A análise também ressalta que fenômenos severos como tornados e ciclones são menos comuns no verão, ocorrendo com maior frequência em estações de transição.
"Neste momento diria que não vamos ter ciclones como o de quarta no verão", afirmou o climatologista Francisco Aquino, do departamento de geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). "Acho que o que estamos vivendo agora é uma transição atrasada da primavera."
"Eventos raros com maior frequência"
"É quase impossível de dizer, mas, estatisticamente, historicamente, a maior parte dos ciclones extratropicais ocorre nos períodos mais frios do ano, outono, inverno e primavera", afirmou o coordenador geral de Operações e Modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Marcelo Seluchi. "Este caso de agora, de um ciclone em dezembro é muito raro, ainda mais com essa intensidade e posição; o problema é que agora temos eventos raros com maior frequência por conta das mudanças climáticas."
A climatologista Karina Lima, diretora científica do comitê nacional da Associação de Pesquisadores Polares em Início de Carreira (APEC-Brasil), é mais taxativa: "Vendaval é até comum", disse. "Ciclone acho possível também."
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