O governo da Venezuela anunciou, na tarde desta quinta-feira (8), que irá libertar presos políticos nas próximas horas. A decisão foi comunicada pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, e apresentada como um “gesto de paz” em meio ao processo de reaproximação diplomática entre Caracas e Washington.
O anúncio foi feito por volta das 14h28 (horário de Brasília), diretamente da capital venezuelana, Caracas. Segundo Rodríguez, um número significativo de pessoas detidas será colocado em liberdade, incluindo cidadãos venezuelanos e estrangeiros. No entanto, o governo não divulgou detalhes sobre quantos presos serão beneficiados, nem os nomes ou os crimes atribuídos a essas pessoas.
“Essa é uma contribuição que todos e todas precisamos fazer para garantir que a República continue sua vida pacífica em busca da prosperidade”, afirmou Jorge Rodríguez durante o pronunciamento.
A medida ocorre em meio a negociações entre os governos da Venezuela e dos Estados Unidos, que incluem tratativas envolvendo a estatal petrolífera venezuelana e autoridades americanas. Segundo analistas, a libertação de presos políticos é vista como uma sinalização clara de flexibilização por parte do regime chavista após anos de repressão a opositores.
Sinalização política
Embora a Assembleia Nacional seja formalmente o Congresso venezuelano, o órgão é amplamente controlado pelo chavismo e funciona, na prática, como um braço do Executivo. Jorge Rodríguez é um dos principais aliados do governo e irmão de Delcy Rodríguez, que foi recentemente empossada como presidente do país, o que reforça o peso político do anúncio.
De acordo com especialistas, a expectativa é que os beneficiados sejam principalmente opositores, ativistas, jornalistas, influenciadores e críticos do governo presos ao longo dos últimos anos — muitos deles detidos durante ondas de protestos contra o regime chavista, que já dura mais de duas décadas.
Pelo tom do discurso oficial, o governo venezuelano tenta demonstrar disposição para o diálogo internacional, especialmente com os Estados Unidos, após um longo período de isolamento político e sanções econômicas.
Contexto internacional
A libertação dos presos ocorre também em um cenário de intensas movimentações diplomáticas. Na véspera, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que Washington possui um plano estruturado para a Venezuela, que prevê inicialmente a estabilização do país antes de qualquer transição política mais profunda.
Apesar do anúncio, o clima dentro da Venezuela segue dividido. Enquanto protestos contra o regime continuam a ocorrer fora do país, há registros de manifestações internas em apoio ao governo chavista. As ruas de Caracas, no entanto, permanecem esvaziadas, refletindo a crise prolongada que levou mais de oito milhões de venezuelanos a deixarem o país nos últimos anos.
Até o momento, o governo não informou quando todas as libertações serão concluídas. A expectativa é de que novos detalhes sejam divulgados nas próximas horas.
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