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Vítima de ataque não vai à formatura: “Estudei entre medos e traumas”

Estudante relatou o medo de encontrar o ex-marido que, um mês depois do crime, permanece foragido

Por Redação
REDAÇÃO

10/03/2026 • 10:11 • Atualizado em 10/03/2026 • 10:11

Resumo

Uma estudante chamada Sayonara Doraci da Silva sobreviveu a uma tentativa de feminicídio em Apucarana, Paraná, em fevereiro, e não compareceu à própria formatura por medo do ex-marido, Ademar Augusto Crepe, que permanece foragido.

Uma formatura em Administração na Universidade Estadual do Paraná (Unespar) foi concluída por Sayonara enquanto estava escondida, sendo representada na cerimônia por uma carta em que relatou os desafios para estudar e proteger seus filhos.

Um ataque ocorreu no dia 10 de fevereiro, quando o carro de Sayonara foi atingido por uma caminhonete dirigida pelo ex-companheiro, resultando em pedido de prisão preventiva aceito pela Justiça, mas com o agressor ainda não localizado.

Uma estudante identificada como Sayonara Doraci da Silva, não pôde comparecer a sua formatura por medo de encontrar o ex-marido. Ela sobreviveu a uma tentativa de feminicídio em fevereiro deste ano, em Apucarana, no norte do Paraná. Mais de um mês depois do crime, o ex-companheiro dela, Ademar Augusto Crepe, permanece foragido.

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Neste período, a vítima se formou em Administração na Universidade Estadual do Paraná (Unespar). Escondida para se manter em segurança, Sayonara não pôde receber o diploma de forma presencial durante a cerimônia de formatura, mas se fez presente por meio de uma carta.

No texto, Sayonara lamenta a ausência e relata que o ex-companheiro não foi mais localizado desde a data do crime, no último dia 10 de fevereiro. Ela também recorda que, mesmo sob o medo causado pela violência, "venceu a faculdade".

Além disso, na carta, ela relata a dificuldade em focar nos estudos enquanto protegia seus filhos do agressor:

“Este diploma que carrega o meu nome é a prova de que, mesmo sob a sombra do medo e da violência, eu não parei. Estudei entre medos e traumas. Escrevi trabalhos enquanto protegia meus filhos. Persisti quando o mundo me dizia que bastava apenas sobreviver”, escreveu Sayonara.

Tentativa de feminicídio sofrida pela estudante

No dia 10 de fevereiro, o carro que ela dirigia foi interceptado por uma caminhonete, em Apucarana. Com o impacto, o carro em que Sayonara estava com o filho foi jogado contra um poste de iluminação pública. A estrutura de concreto caiu sobre o veículo.

A vítima e as testemunhas contaram à Polícia Militar (PM-PR) que Ademar Augusto Crepe, de 58 anos, estava dirigindo a caminhonete. A Polícia Civil solicitou a prisão preventiva de Ademar, que foi aceita pela Justiça no dia 12 de fevereiro.

Até a última atualização desta reportagem, ele permanece foragido.

Trecho da carta escrita por Sayonara

"Formo-me hoje, mas não posso subir ao palco. Enquanto celebramos o fim de um ciclo acadêmico, eu enfrento o auge de um ciclo de injustiça. Não estou aí porque o homem que tentou apagar a minha luz e a vida do meu filho caminha Iivre. Minha ausência nesta festa não é uma escolha, é reflexo da falha de um sistema que ainda obriga a vítima a se esconder enquanto o agressor desfruta da liberdade. Mas quero que saibam: ele não venceu".