
Queda de avião em Vinhedo
REUTERS/Carla Carniel
A aeronave da Voepass que caiu em Vinhedo (SP), em agosto de 2024, apresentou falhas recorrentes no sistema de proteção contra gelo nos voos que antecederam o acidente. A informação foi divulgada pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (23), em Brasília.
O órgão identificou problemas sucessivos no sistema de degelo da aeronave e concluiu que eles não foram registrados oficialmente pelas tripulações anteriores à do acidente. Segundo a investigação, a primeira ocorrência foi registrada três voos antes do acidente, durante uma operação entre Guarulhos (SP) e Ribeirão Preto (SP).
Na ocasião, o detector de gelo da aeronave identificou condições propícias para a formação de gelo e o sistema de degelo das asas, responsável por quebrar placas de gelo formadas na borda de ataque das asas, apresentou falha. O Cenipa identificou que os ‘boots’ externos dos dois lados da aeronave estavam com problema. A tripulação chegou a reiniciar o sistema três vezes, mas o defeito persistiu.
De acordo com o manual da fabricante ATR, quando o sistema apresenta falha, os pilotos podem realizar apenas uma tentativa de reinicialização. Caso o problema continue, a orientação é desligar o sistema e deixar imediatamente a região com condições favoráveis à formação de gelo.
Apesar da falha, o Cenipa concluiu que o problema não foi registrado no diário de bordo da aeronave após o pouso. Um mecânico ouvido durante a investigação afirmou ter recebido o relato verbal da tripulação, mas a pane não foi formalizada nos registros oficiais.
Nos três voos seguintes, incluindo o voo do acidente, o sistema voltou a apresentar falhas. Segundo o relatório, a pane passou a afetar apenas o boot externo da asa direita. O manual da fabricante aponta que esse tipo de falha pode estar relacionado, por exemplo, a vazamentos pneumáticos, problemas na tubulação de ar, falhas em sensores de pressão ou defeitos nas válvulas responsáveis pela distribuição do ar.
Os investigadores conseguiram recuperar duas das sete válvulas do sistema após o acidente, mas os equipamentos foram danificados pelo incêndio e os testes realizados não permitiram determinar seu funcionamento.
O relatório também aponta que, no voo realizado poucas horas antes do acidente, outra tripulação voltou a enfrentar formação de gelo.
Na primeira detecção, os pilotos não acionaram imediatamente o sistema de proteção da aeronave. Somente após uma nova indicação de gelo o equipamento foi ligado.
Durante esse voo, a aeronave também emitiu alertas de baixa velocidade (“Speed Low”), indicando degradação de desempenho do avião.
Segundo o Cenipa, as falhas registradas nos voos anteriores não foram anotadas oficialmente no diário de bordo, impedindo que a manutenção fosse acionada conforme os procedimentos previstos.
A investigação concluiu que a repetição dessas ocorrências fez com que a aeronave operasse sucessivamente com degradação de desempenho antes do acidente.
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