Band Jornalismo

Paulinho da Força critica veto de Lula e promete derrubada no Congresso

Parlamentar afirma que presidente desrespeitou construção coletiva e "jogou gasolina" em terreno já pacificado

Da redação, com Estadão Conteúdo
DA REDAÇÃO, COM ESTADÃO CONTEÚDO

08/01/2026 • 12:58 • Atualizado em 08/01/2026 • 13:03

Paulinho da Força

Paulinho da Força

Reprodução/Câmara dos Deputados

O deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP) anunciou, nesta quinta-feira (8), que trabalhará no Congresso Nacional para derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto que reduz penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro. Relator da proposta na Câmara, o parlamentar criticou duramente a decisão do Planalto, alegando que o gesto representa uma opção pelo confronto em vez do diálogo.

Compartilhar

A reação de Paulinho ocorreu logo após o governo federal realizar uma cerimônia em defesa da democracia, marcando os três anos dos ataques às sedes dos Três Poderes. Durante o evento, Lula oficializou o veto ao projeto de dosimetria, reforçando que a data simboliza a vitória da democracia sobre aqueles que tentaram tomar o poder por meio da força e do autoritarismo.

Críticas à postura do governo

Em vídeo publicado em suas redes sociais, Paulinho da Força utilizou metáforas para descrever a decisão presidencial. Segundo o deputado, o Congresso havia entregue a Lula a "bandeira da paz" ao aprovar o texto, mas o chefe do Executivo teria optado por destruir a iniciativa. "Sabe o que ele fez? Rasgou e tocou fogo nela", declarou o parlamentar no Instagram.

Para o relator, o projeto foi fruto de um processo construído com diálogo e responsabilidade entre os parlamentares. Na visão de Paulinho, o veto ignora essa construção coletiva e envia um recado negativo para a comunidade internacional. Ele avalia que Lula "foi ao terreno já pacificado e jogou gasolina", preferindo a tensão ao entendimento institucional.

Diferença entre dosimetria e anistia

O deputado também fez questão de diferenciar o teor da proposta de uma eventual anistia aos envolvidos nos atos golpistas. De acordo com o parlamentar, a medida busca garantir previsibilidade jurídica e respeito à Constituição, sem apagar os crimes cometidos. O objetivo, segundo ele, seria estabelecer uma justiça proporcional para os casos em julgamento.

"É importante dizer que dosimetria não é anistia, não apaga crimes", ressaltou Paulinho. Ele ainda afirmou que o país precisa de segurança jurídica para seguir em frente e que a manutenção do veto sinaliza que o Brasil não deseja a pacificação. O deputado reforçou que "quem carrega a bandeira da paz não se curva ao autoritarismo".

Lula defende democracia em solenidade

Enquanto o parlamentar articulava a resistência no Legislativo, o presidente Lula utilizou seu discurso na cerimônia oficial para exaltar a resistência das instituições. O presidente lembrou que o 8 de janeiro está marcado na história como o dia da vitória contra aqueles que desprezaram a vontade popular expressa nas urnas e tentaram instaurar um regime de exceção.

O evento também relembrou o desdobramento das investigações sobre os atos antidemocráticos, que resultaram na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão. Lula afirmou que os responsáveis defendiam a ditadura e o extermínio de adversários, justificando o rigor na manutenção das punições estabelecidas pela Justiça.

Próximos passos no Legislativo

Com o anúncio da articulação de Paulinho da Força, o foco agora se volta para o Congresso Nacional, onde o veto será analisado por deputados e senadores. O relator prometeu empenho total para reverter a decisão de Lula. "Vou trabalhar firme no Congresso para derrubar o veto e trazer a pacificação para o Brasil", concluiu o parlamentar.

A disputa em torno da redução das penas promete intensificar o debate entre a base governista e setores do Legislativo que defendem a revisão das sanções aplicadas aos condenados pelo Supremo Tribunal Federal. A decisão final sobre a validade do projeto dependerá da contagem de votos nas sessões conjuntas do Parlamento.