Crise no STF: veja linha do tempo de conflito entre ministros da Corte
O Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta uma das maiores crises institucionais de sua história, impulsionada pelos desdobramentos das operações Compliance

O Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta uma das maiores crises institucionais de sua história, impulsionada pelos desdobramentos das operações Compliance Zero e Sem Desconto, da Polícia Federal (PF), que apuram um esquema de fraudes financeiras e crimes contra aposentados do INSS envolvendo o Banco Master e seu fundador, Daniel Vorcaro.
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O conflito começou com a revelação de mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes em novembro de 2025. A divulgação do material levantado em investigação da Polícia Federal (PF), no último dia 1º, foi autorizado pelo ministro André Mendonça e desencadeou uma espiral de retaliações jurídicas entre ministros, com pedidos cruzados de investigação criminal e de afastamento de funções judiciais.
Diante do acirramento do impasse e da sobreposição de ordens monocráticas, o presidente do STF, Edson Fachin, tomou medidas drásticas nesta quarta-feira (9) para conter a crise: suspendeu as decisões de André Mendonça e Flávio Dino relativas à cúpula da PF, deu prazo de 48 horas para o diretor-geral da corporação se explicar, retirou Moraes da relatoria das do inquérito das fake news e convocou o plenário extraordinário para deliberar sobre o caso.
Abaixo, a linha do tempo atualizada detalha todos os marcos dessa crise:
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Novembro de 2025: As Mensagens e a Prisão de Daniel Vorcaro
- 15 de novembro de 2025: Dois dias antes de ser alvo de mandado de prisão, o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, troca mensagens com o ministro Alexandre de Moraes indagando se uma operação policial era iminente e questionando: "Acha que 2ª tenho que estar fora?", além de citar o presidente indicado do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o "juiz Ricardo".
- 16 de novembro de 2025: Vorcaro insiste em agendar um encontro presencial na residência de um deles, declarando-se perplexo e afirmando que as ações destruirão seus negócios.
- 17 de novembro de 2025: A Polícia Federal prende Daniel Vorcaro em flagrante no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, enquanto o empresário tentava embarcar para o exterior em seu jatinho particular sob suspeita de tentativa de fuga.
- A rede de monitoramento: A perícia técnica no celular de Vorcaro revela que o banqueiro mantinha acesso a informações sigilosas em tempo real sobre apurações na 10ª Vara Federal do DF e no Banco Central. Em conversas, Vorcaro faz menção à necessidade de obter "proteção de Andrei e Paulo", identificados por delegados como o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
1º a 2 de Setembro: queda do sigilo
- 1º de setembro de 2026: O ministro relator André Mendonça derruba o sigilo da Petição 16.662, tornando públicos os relatórios da PF que contêm as conversas de Moraes com Vorcaro e remetendo os autos para manifestação da PGR. Mendonça sustenta que a transparência é a regra constitucional e aponta o plenário do STF como o foro adequado para a análise técnica do processo.
- 2 de setembro de 2026: O Partido Novo protocola representação pedindo providências contra o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, acusando-o de integrar a rede de influência de Vorcaro. No mesmo período, vem a público que André Mendonça se reunira com Vorcaro em março de 2025 em uma empresa privada em São Paulo; a assessoria do ministro confirma o encontro prévio à sua relatoria como estritamente institucional para ouvir pleitos sobre precatórios, ressaltando que todas as suas decisões posteriores foram contrárias ao banqueiro.
3 de Setembro: confronto entre Moraes e Mendonça
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- Moraes solicita investigação contra Mendonça: O ministro Alexandre de Moraes junta relatórios de inteligência no Inquérito 4.781 (fake news) e pede ao presidente do STF a abertura de investigação criminal contra André Mendonça. Moraes atribui a Mendonça supostos crimes de responsabilidade, abuso de autoridade e improbidade, acusando-o de usurpar funções da PF, falhar na custódia de mídias sensíveis que vazaram dados de senadores e perseguir alvos políticos, como o senador Davi Alcolumbre e o próprio Moraes.
- Mendonça pede o afastamento de Moraes: Na mesma noite, André Mendonça vai ao gabinete do presidente do STF, Edson Fachin, e solicita formalmente o afastamento de Alexandre de Moraes de suas funções de ministro.
- Fachin fixa prazo: O presidente Edson Fachin instaura procedimento oficial e concede prazo de 5 dias úteis para que autoridades do STF, da PGR e da PF apresentem informações por escrito sobre as representações.
6 a 8 de Setembro: Envio ao Plenário e Afastamento da Cúpula da PF
- 6 de setembro de 2026: O ministro André Mendonça encaminha os autos da Petição 16.662 ao plenário do STF para apreciação do colegiado sobre os desdobramentos do caso Master.
- 8 de setembro de 2026: Atendendo a pedido do Partido Novo e analisando relatórios da PF juntados por Moraes, o ministro André Mendonça determina o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada da Costa. Mendonça justifica a ordem afirmando que a diretoria de inteligência realizou "monitoramento sistemático e ilícito" contra ele próprio e contra o Advogado-Geral da União, Jorge Messias, além de elaborar juízo correcional indevido sobre decisões judiciais e vazar informações de investigações. Mendonça solicita a convocação de sessão virtual da Segunda Turma para referendar a liminar.
9 de Setembro: guerra monocrática e intervenção de Fachin
- Dino revoga o afastamento: Atendendo a recurso de Andrei Rodrigues, o ministro Flávio Dino suspende a ordem de Mendonça e reconduz a cúpula da PF aos cargos, argumentando que a paralisação do comando policial "interessa aos investigados" e fere o devido processo legal. No despacho, Dino volta a citar a reunião ocorrida entre Mendonça e Vorcaro.
- Fachin intervém e trava decisões conflitantes: Para conter a sobreposição horizontal de ordens individuais que geravam "inconciliável conflito de posições judiciais", o presidente Edson Fachin profere uma série de decisões estruturantes: Suspensão das ordens de Mendonça e Dino: Acolhendo pedido da Advocacia-Geral da União na Suspensão de Liminar 1.946, Fachin cassa tanto o afastamento decretado por Mendonça quanto a reintegração ordenada por Dino, mantendo cautelarmente Andrei Rodrigues e Leandro Almada no comando da PF. Notificação do Diretor-Geral: Fixa prazo de 48 horas para que Andrei Rodrigues preste esclarecimentos detalhados sobre a confecção dos relatórios de inteligência que avaliaram atos do Judiciário, dados que subsidiarão a decisão da Presidência sobre sua permanência no cargo com base na Loman. Afastamento de Moraes do inquérito das fake news: Por meio da Portaria 189/2026, Fachin revoga a delegação outorgada a Alexandre de Moraes para conduzir a fase de investigação preliminar do Inquérito 4.781 (fake news), reassumindo a relatoria desses procedimentos preliminares na Presidência. Convocação do Plenário: Fachin convoca sessão extraordinária presencial do Plenário do STF para o dia 15 de setembro de 2026, às 10h, quando a totalidade dos ministros julgará colegiadamente os relatórios envolvendo Vorcaro e definirá os rumos da Petição 16.662 e do comando da Polícia Federal. As denúncias contra Mendonça seguirão em procedimento administrativo próprio
