Deputado italiano pede apuração sobre cidadania de filhos de Bolsonaro
Angelo Bonelli aponta que a concessão da cidadania foi acelerada, em comparação com outros casos solicitados

O parlamentar italiano Angelo Bonelli apresentou um pedido formal de esclarecimentos aos Ministérios dos Negócios Estrangeiros e do Interior da Itália para apurar as circunstâncias em que Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro obtiveram a cidadania italiana.
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A iniciativa busca determinar se os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tiveram tratamento preferencial e furaram a ordem cronológica da fila de espera consular em Brasília, onde milhares de requerentes aguardam há anos pelo reconhecimento.
Flávio Bolsonaro chegou a usar seu passaporte italiano nos últimos dias para sair do Brasil, rumo aos Estados Unidos, violando determinação do Supremo Tribunal Federal. Seus outros passaportes --brasileiro e o diplomático-- tinha sido cancelados.
Tratamento preferencial e cronograma acelerado
Segundo documento apresentado nesta quarta-feira (28), respostas anteriores do próprio governo italiano no Parlamento confirmaram que Flávio e Eduardo Bolsonaro solicitaram a entrada na lista de espera da Embaixada de Itália em Brasília em 2020.
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Em 8 de novembro de 2022, nove dias após a derrota eleitoral do pai, ambos compareceram pessoalmente à representação diplomática para solicitar o andamento do processo.
Flávio e Eduardo concluíram o procedimento e obtiveram a cidadania em 2023, enquanto Carlos Bolsonaro obteve o reconhecimento em 2024. A data de apresentação do pedido inicial de Carlos nunca foi divulgada.
O parlamentar aponta que a legislação italiana fixa o prazo máximo de 730 dias para a conclusão destes processos, mas as esperas no Brasil ultrapassam habitualmente uma década, acumulando mais de 112 mil pedidos pendentes desde 2018.
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Além disso, a embaixada em Brasília havia suspendido novas convocações em agosto de 2018 e, no final de 2022, ainda estava a convocar apenas inscritos do ano de 2018.
Cobrança por auditoria e contexto legislativo
Na interpelação, Bonelli exige que o governo informe as datas exatas de inscrição, convocação e entrega de documentos de cada um dos irmãos.
O deputado questiona se foi concedida alguma prioridade ou exceção à ordem cronológica, quem a autorizou e qual o papel do encontro presencial ocorrido em novembro de 2022 na embaixada, pedindo ainda a abertura de uma auditoria para verificar a regularidade dos procedimentos e garantir a igualdade entre os requerentes.
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A contestação destaca a disparidade entre a rapidez concedida aos filhos de Jair Bolsonaro e as recentes restrições impostas pelo Decreto-Lei n. 36/2025, que limitou o acesso à cidadania iure sanguinis para milhares de descendentes.
O documento menciona também investigações em curso no Brasil envolvendo os beneficiários e cita o risco de o passaporte italiano ser utilizado para evitar o cumprimento de decisões da justiça brasileira, tomando como exemplo declarações anteriores da ex-deputada Carla Zambelli após a sua condenação.
