Política

Entenda o vaivém da ida de Flávio Bolsonaro para os EUA

Após ordem do STF, senador foi de van à Argentina, usou passaporte italiano e seguiu em jato aos EUA

4 min

28/10/2026 14:38 • Atualizado há 2 horas

Entenda o vaivém da ida de Flávio Bolsonaro para os EUA

Flávio Bolsonaro desembarca no Aeroporto Executivo de Opa-locka, perto de Miami, Flórida, EUA

Eva Marie Uzcategui/Reuters

A sequência de fatos que culminou na viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos teve início apenas sete minutos após o encerramento da apuração que confirmou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das Eleições 2026, no domingo (25), quando a Polícia Federal (PF) solicitou medidas cautelares ao Supremo Tribunal Federal (STF).

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O ministro Alexandre de Moraes determinou a apreensão dos passaportes comum e diplomático do parlamentar, a proibição de deixar o país e a vedação de qualquer contato com o advogado e amigo Willer Tomaz.

As restrições foram motivadas por um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e movimentações financeiras atípicas em empresas de apostas. Na fundamentação da decisão, Moraes também levou em consideração declarações do deputado Eduardo Bolsonaro, que aconselhou publicamente o irmão a deixar o Brasil caso perdesse a eleição.

Notificado pela PF na manhã de segunda-feira (26) para entregar os documentos em 24 horas, Flávio gravou um vídeo afirmando que "nunca pensou em sair do país" e prometendo entregar os passaportes para se defender. Contudo, às 11h de terça-feira (27), o prazo expirou sem o cumprimento da ordem judicial. Diante disso, a Polícia Federal efetuou o cancelamento oficial dos passaportes brasileiros do senador e comunicou o descumprimento ao STF.

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De van a Foz e o ingresso na Argentina com passaporte italiano

Em paralelo ao encerramento do prazo judicial, o parlamentar iniciou um deslocamento terrestre sigiloso acompanhado de sua esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas do casal. O grupo deixou Brasília a bordo de uma van em direção a Foz do Iguaçu (PR), percorrendo um percurso de aproximadamente 1.600 quilômetros até a fronteira.

Às 22h50 de terça-feira (27), a família realizou a travessia para a Argentina pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones. O senador utilizou um passaporte italiano emitido em 2023.

A Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou que toda a família apresentou documentação válida de viagem e ingressou em território argentino sem registros de impedimentos registrados no sistema local naquele momento.

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O voo de jato executivo que desviou do espaço aéreo do Brasil

Após os trâmites no posto migratório, a família seguiu para o aeroporto de Puerto Iguazú, de onde decolou às 23h30 de terça-feira. O embarque foi realizado em um jato executivo Gulfstream G400 de matrícula argentina, operado pela empresa Baires Fly S.A..

Na manhã de quarta-feira (28), o jato efetuou uma escala técnica de reabastecimento em Guayaquil (Equador) e decolou às 6h20 (horário de Brasília), sobrevoando o Panamá e Cuba a caminho da Flórida.

Chegada em Miami, coletiva agendada e desdobramentos políticos

O pouso final ocorreu no aeroporto Opa-Locka Executive, em Miami, por volta das 10h30 desta quarta-feira (28). Já em solo americano, Flávio reuniu-se com o irmão Eduardo Bolsonaro, e aliados confirmaram que o parlamentar concederá uma entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira (29) no centro de Miami para prestar esclarecimentos públicos.

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O episódio provocou intensa repercussão e divisão no cenário político brasileiro:

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