Van, jato e desvio do Brasil: como foi o plano de fuga de Flávio aos EUA
Senador viajou com a família em van até Foz, cruzou a fronteira e embarcou em jato que evitou o espaço aéreo brasileiro

Roteiro da fuga de Flávio Bolsonaro aos EUA
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a esposa Fernanda Bolsonaro e as duas filhas deixaram Brasília em direção aos Estados Unidos em um roteiro que combinou viagem de van até Foz do Iguaçu (PR), entrada na Argentina pela Ponte Internacional Tancredo Neves e dois voos em jato executivo até Miami, na terça-feira (27), segundo registros de autoridades migratórias e do site FlightRadar.
Continua depois da publicidade
Linha do tempo da viagem
O deslocamento da família Bolsonaro começou na terça (27) e ocorreu em etapas sucessivas, por terra e por ar, até o aeroporto Opa Locka Executive, em Miami.
- Brasília: saída do senador, da esposa e das duas filhas em van rumo a Foz do Iguaçu, em trajeto de cerca de 1.600 km.
- Foz do Iguaçu (Paraná): travessia para a Argentina pela Ponte Internacional Tancredo Neves, às 22h50 de terça-feira (27).
- Puerto Iguazú (Argentina): embarque em jato executivo às 23h30, com destino a Guayaquil, no Equador.
- Guayaquil (Equador): escala e novo voo às 6h20, rumo ao aeroporto Opa Locka Executive, em Miami (Estados Unidos).
- Miami (EUA): chegada da aeronave às 10h30, conforme dados de rastreamento do FlightRadar.
Travessia pela Ponte Tancredo Neves
A Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou que Flávio Bolsonaro, Fernanda Bolsonaro e as duas filhas do casal entraram no país na noite de terça-feira (27), por volta das 22h50.
Segundo o órgão, o grupo realizou o procedimento de entrada na Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones, fronteira entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú.
Continua depois da publicidade
De acordo com as autoridades argentinas, os quatro portavam documentação de viagem válida e não enfrentaram qualquer impedimento legal para ingressar no território. Todo o trâmite migratório ocorreu sem registro de incidentes.
Antes da travessia, o senador e a família haviam percorrido por via terrestre o trecho entre Brasília e Foz do Iguaçu, em percurso estimado em cerca de 1.600 quilômetros.
Jato argentino e desvio da rota sobre o Brasil
Após a entrada na Argentina, Flávio, a esposa e as duas filhas seguiram para o aeroporto de Puerto Iguazú, de onde decolaram às 23h30 em direção a Guayaquil, no Equador.
Continua depois da publicidade
Conforme o site FlightRadar, especializado em rastrear voos, a família embarcou em um Gulfstream G400 de matrícula argentina LV-JQW, operado pela empresa Baires Fly S.A.
Para o trecho entre a Argentina e o Equador, a aeronave não seguiu uma linha reta que cruzaria o espaço aéreo brasileiro. Segundo o rastreamento, o jato contornou o país e sobrevoou Paraguai, Bolívia e Peru até chegar a Guayaquil.
Na sequência, ainda de acordo com o FlightRadar, o Gulfstream decolou de Guayaquil às 6h20 com destino ao aeroporto Opa Locka Executive, em Miami. O trajeto incluiu o sobrevoo de Panamá e Cuba antes do pouso, registrado às 10h30 (horário local) em território norte-americano.
Continua depois da publicidade
Medidas do STF e investigação sobre apostas
O deslocamento de Flávio Bolsonaro ocorreu no contexto de medidas cautelares impostas ao senador no âmbito de um inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal.
A Polícia Federal pediu ao STF, no domingo (25), apenas sete minutos depois do término da apuração que confirmou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que o tribunal adotasse restrições contra o parlamentar.
Entre as determinações aprovadas pelo ministro Alexandre de Moraes estão a apreensão dos passaportes comum e diplomático de Flávio, a proibição de deixar o país e a vedação de contato com o advogado e amigo do senador Willer Tomaz.
Continua depois da publicidade
O inquérito apura eventual relação de Flávio Bolsonaro com suspeitas de lavagem de dinheiro e movimentações financeiras consideradas atípicas em empresas e plataformas de apostas esportivas.
Eduardo aconselhou saída do país em caso de derrota
Em vídeo publicado nas redes sociais na segunda-feira (26), Flávio Bolsonaro afirmou que a decisão de Alexandre de Moraes para apreender seus passaportes mencionou uma fala do irmão, o deputado Eduardo Bolsonaro.
Segundo o senador, o ministro teria levado em conta uma declaração em que Eduardo sugeriu que o irmão deixasse o Brasil caso fosse derrotado no segundo turno das eleições presidenciais.
Continua depois da publicidade
“Ele [Lula] estava ameaçando meu irmão. E, se meu irmão não vencer, eu sou favorável que ele deixe o país”, disse Eduardo Bolsonaro, dois dias antes do segundo turno, no podcast americano Louder with Crowder.
De acordo com essa fala, Eduardo ainda reforçou a posição com dois “com certeza” na sequência da entrevista, que passou a integrar o debate sobre as intenções da família Bolsonaro em relação a uma eventual saída do Brasil.
