Entenda o que fez a PF pedir apreensão de passaportes de Flávio Bolsonaro
Por determinação do STF, o parlamentar não pode deixar o Brasil nem contatar o advogado e amigo Willer Tomaz
A Polícia Federal (PF) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a adoção de medidas cautelares contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apenas sete minutos depois do término da apuração que confirmou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no último domingo (25).
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Entre as medidas estabelecidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, contra Flávio estão a apreensão dos passaportes --comum e diplomático--, a proibição de deixar o país e a vedação de qualquer contato com o advogado e amigo do senador Willer Tomaz.
As medidas cautelares determinadas contra Flávio acontecem no âmbito de um inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal e que apura possível relação do parlamentar por suspeitas de lavagem de dinheiro e movimentações financeiras atípicas em empresas e plataformas de apostas (bets).
A investigação surgiu após análise do celular de Tomaz, apreendido pela PF em outra operação. Apurações apontam movimentações financeiras consideradas atípicas, vínculos entre empresas do advogado e o setor de apostas, além da relação próxima entre Tomaz e Flávio, incluindo viagens internacionais custeadas por empresas do empresário.
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Além do caso envolvendo Willer Tomaz, Flávio Bolsonaro é alvo de outra investigação que apura possíveis crimes no repasse de quase R$ 70 milhões pelo Banco Master para financiar o filme "Dark Horse", em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Conselho de Eduardo para deixar o país
Apesar das investigações em andamento, Flávio afirmou em um vídeo publicado em suas redes sociais na segunda-feira (26) que a argumentação de Moraes para determinar a apreensão de seus passaportes teria apontado ainda uma fala de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que o aconselhou a deixar o Brasil em caso de derrota no 2º turno das eleições presidenciais.
"Ele [Lula] estava ameaçando meu irmão. E, se meu irmão não vencer, eu sou favorável que ele deixe o país", afirmou Eduardo Bolsonaro dois dias antes do segundo turno, no podcast americano Louder with Crowder. Eduardo ainda reforçou a posição com dois "com certeza" na sequência.
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Flávio, no entanto, disse na segunda-feira que nunca pensou em deixar o Brasil. "Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender essa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar", afirmou em suas redes sociais.
Possível viagem para os EUA
Apesar das negativas de que tivesse intenção de deixar o Brasil, pessoas ligadas à família de Flávio afirmam que o parlamentar deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos nesta terça-feira (27). Segundo esses relatos, teria sido feito um pedido de asilo político a Donald Trump e a previsão de chegada do parlamentar a Miami seria por volta das 17h.
Mais cedo, surgiram informações de que Flávio teria deixado o Brasil seguindo para a Argentina. A Polícia Federal chegou a acionar autoridades do país vizinho, mas o governo local negou a entrada do parlamentar ou a existência de plano de voo envolvendo a família Bolsonaro.
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Checagens efetuadas em uma aeronave privada no Aeroporto Internacional de Iguazú confirmaram que a documentação estava regular e sem registro dos familiares a bordo. Paralelamente, a assessoria do senador e a coordenação de sua campanha negaram qualquer tentativa de fuga para a Argentina, sustentando que ele permanecia em sua residência.
