Política
Jornal da Band

Dono de avião usado por Flávio ir para os EUA diz ter recebido R$ 800 mil

Proprietário de jato executivo afirma que pagamento partiu de conta nos Estados Unidos

3 min

30/10/2026 20:06 • Atualizado há 1 hora

Dono de avião usado por Flávio ir para os EUA diz ter recebido R$ 800 mil

Dono de avião usado por Flávio ir para os EUA diz ter recebido R$ 800 mil

Reuters

O empresário argentino Luis Grande, proprietário da empresa Baires Fly, afirma que recebeu 150 mil dólares — o equivalente a cerca de R$ 800 mil — pelo fretamento do avião executivo utilizado na viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos. De acordo com o empresário, o dinheiro partiu de uma conta bancária norte-americana, por intermédio de um negociador que vive no país há dez anos.

Continua depois da publicidade

A aeronave utilizada no deslocamento é um Gulfstream G400, modelo com capacidade para 13 passageiros e autonomia de quase 8 mil quilômetros. Em entrevista à agência internacional de notícias AFP, Luis Grande não revelou o nome do contratante nem para quem ele trabalhava.

Veículos de imprensa norte-americanos informam que o transporte foi providenciado por Jason Miller, ex-assessor do ex-presidente Donald Trump e ex-integrante da Casa Branca. Miller já esteve no Brasil em três oportunidades e mantém interlocução próxima com a família Bolsonaro. O governo dos Estados Unidos não confirma nem desmente as informações sobre o caso.

Democratas cobram Departamento de Estado

A viagem provocou reações diretas na política de Washington. Um grupo de 25 deputados democratas da Câmara dos Representantes, que integra a oposição a Donald Trump e conta com membros da Comissão de Relações Exteriores, enviou requerimento formal ao secretário de Estado, Marco Rubio.

Continua depois da publicidade

Os parlamentares norte-americanos apresentaram uma lista com 15 perguntas para apurar o papel do Departamento de Estado na saída de Flávio Bolsonaro do território brasileiro. Os deputados questionam quem autorizou a emissão dos vistos, se as autoridades locais sabiam de eventuais restrições judiciais impostas contra o parlamentar no Brasil e se existiu apoio logístico de agentes federais.

O Departamento de Estado tem prazo fixado até 13 de novembro para encaminhar respostas formais por escrito. A cobrança amplia a pressão política sobre a administração republicana às vésperas das eleições parlamentares de meio de mandato.

Investigação no STF e tensão diplomática

No Brasil, Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz respondem a inquérito no Supremo Tribunal Federal por suspeitas de evasão de divisas e lavagem de dinheiro. A relatoria do processo está sob responsabilidade do ministro Alexandre de Moraes.

Continua depois da publicidade

A defesa do senador informou que pretende solicitar a redistribuição dos autos para que o ministro André Mendonça assuma a relatoria da investigação. Além disso, suspeitas sobre eventual colaboração do presidente argentino, Javier Milei, na saída do parlamentar levaram o Ministério das Relações Exteriores a convocar a encarregada de negócios da Embaixada da Argentina para uma reunião protocolar em Brasília.

No cenário externo, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e Marco Rubio compareceram nesta sexta-feira ao encontro de chanceleres do G20 em Atlanta, nos Estados Unidos. Até o momento, não há agenda confirmada para uma audiência bilateral entre as duas chancelarias.

A diplomacia brasileira mantém a postura pragmática para preservar o diálogo com a Casa Branca, mesmo sem contato oficial entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. A expectativa é de que eventuais encontros presidenciais ocorram na cúpula nas Filipinas, em novembro, ou na reunião de cúpula do G20 marcada para dezembro, em Miami.

Tópicos relacionados