Cláudio Castro renuncia ao governo do Rio na véspera de julgamento no TSE

A saída de Castro deixa o estado em uma situação institucional atípica

Da redação

Por Da redação

Cláudio Castro renuncia ao governo do Rio na véspera de julgamento no TSE
Claudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro
Reprodução/Flickr/Governo do Rio de Janeiro

O governador Cláudio Castro (PL) oficializou nesta segunda-feira (23) a sua renúncia ao cargo em cerimônia de despedida que ocorreu no Palácio da Guanabara. O movimento ocorre em um momento crítico, exatamente um dia antes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retomar o julgamento que pode resultar na cassação de seu mandato e em sua inelegibilidade.

Vacância no Executivo e eleição indireta

A saída de Castro deixa o estado em uma situação institucional atípica. Como o vice-governador eleito, Thiago Pampolha (MDB), já havia renunciado em 2025 para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), o Rio de Janeiro fica sem seus chefes do Executivo eleitos.

Com a linha de sucessão vaga, quem assume interinamente o governo é o presidente do Tribunal de Justiça do Estado, Ricardo Couto. Ele permanecerá no cargo até que a Assembleia Legislativa (Alerj) realize uma eleição indireta para definir quem governará o Estado até janeiro.

O fantasma da cassação no TSE

O julgamento no TSE, marcado para esta terça-feira, 24, investiga suposto abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. O placar atual está em 2 a 0 pela condenação do governador.

A acusação: o Ministério Público Eleitoral (MPE) aponta que a Fundação Ceperj e a Uerj teriam sido utilizadas para a contratação de cabos eleitorais com recursos públicos durante a campanha.

Outros alvos: além de Castro, o processo atinge o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União-RJ), e o ex-vice Thiago Pampolha.

Consequências: se condenados, os envolvidos podem perder os mandatos e ficar inelegíveis até 2030. Caso isso ocorra, Cláudio Castro estaria impedido de disputar o Senado nas eleições deste ano, plano que ele já havia sinalizado anteriormente.

O julgamento teve início em 10 de março, mas havia sido interrompido por um pedido de vista do ministro Kassio Nunes Marques.

Reações políticas

A renúncia gerou fortes críticas da oposição. O ex-prefeito e candidato ao governo, Eduardo Paes (PSD), utilizou as redes sociais para atacar o evento de despedida, afirmando que Castro está "fugindo da justiça". Em publicação no X, Paes compartilhou o convite para o ato e declarou que o governador está "desrespeitando a justiça com os crimes que cometeu".

Com informações do Estadão Conteúdo

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