A menos de três meses para o pleito de outubro, a corrida presidencial em um cenário altamente polarizado volta a atenção para um grupo decisivo: os eleitores independentes. Embora as pesquisas semanais destaquem o desempenho dos candidatos favoritos, analistas apontam que a definição da disputa está concentrada na parcela do eleitorado que não possui alinhamento ideológico com nenhum dos lados.
Atualmente, Lula e Flávio Bolsonaro dividem quase 70% dos votos de seus respectivos eleitores fiéis. O restante da fatia decisiva, composta por cerca de 30% do total de votos, é formada por pessoas que não declaram paixão política e que, historicamente, tendem a decidir seu voto na reta final da campanha.

Perfil do eleitor independente
De acordo com dados da consultoria Quaest, os eleitores que se identificam como independentes possuem características demográficas bem definidas. Graziele Silotto, analista sênior da instituição, detalha que esse grupo concentra-se majoritariamente na Região Sudeste do país.
"Eles são, em sua maioria, do público feminino, na faixa dos 35 aos 59 anos. Além disso, possuem escolaridade média, com até o ensino médio completo, e renda média, situando-se na faixa entre dois a cinco salários mínimos por mês", explica Graziele Silotto.
Pragmatismo e volatilidade
Em entrevista à jornalista Adriana Araújo, na BandNews FM, o diretor da Quaest, Felipe Nunes, reforçou que o eleitor independente é pragmático e pauta sua escolha pela realidade econômica e pelos impactos diretos em suas famílias.
"Esse eleitor é muito volátil. Ele está preocupado com o noticiário, com os escândalos e com a economia. A gente ainda deve ver muita oscilação nesse grupo", pontua Felipe Nunes.
O diretor destaca que mudanças reais nos números das pesquisas captadas em junho mostram essa instabilidade. Enquanto a preferência de Flávio Bolsonaro oscilou negativamente dentro desse estrato, o ex-presidente Lula apresentou um crescimento na intenção de voto entre os independentes, evidenciando que a migração de votos é dinâmica.
O impacto da economia no voto
Para a cientista política Daysi Cioccari, a decisão desse eleitor passa, obrigatoriamente, pela percepção do custo de vida. Segundo a especialista, este segmento não apresenta uma base ideológica fixa, o que permite trânsito entre diferentes espectros políticos conforme a conjuntura econômica.
"É um eleitor que reage principalmente à percepção de economia. Ele pode ter votado em Lula uma vez e em Bolsonaro na outra. Não é, de forma alguma, um eleitor ideológico no sentido de ter uma base fiel", afirma Daysi Cioccari.
A capacidade de comunicação direta e a apresentação de soluções para os problemas do cotidiano, especialmente no que tange ao orçamento familiar, são apontadas como os principais fatores que determinarão qual candidato conseguirá captar esse volume de votos que, na prática, funciona como o fiel da balança eleitoral de 2026.
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