
Michelle e Flávio Bolsonaro
Reprodução/Instagram
O racha na família Bolsonaro pode impactar a disputa eleitoral para presidente. Pelo menos é o que aponta a nova pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada nesta quinta-feira (2). Segundo o levantamento, a maioria dos brasileiros que viram o vídeo publicado por Michelle Bolsonaro dá crédito às palavras dela contra Flávio Bolsonaro (PL).
Os dados apontam que 59,6% dos entrevistados acreditam na acusação de que o senador foi “grosseiro”, “desrespeitoso” e de que Michelle teria sido “humilhada” por ele. Em contrapartida, apenas 29,3% desconsideram o relato. A pesquisa foi feita no final de junho, logo após a publicação do vídeo nas redes sociais da ex-primeira-dama.
Embora Michelle leve vantagem na percepção do público geral, o cenário muda quando o foco se volta para a base fiel do ex-presidente. Entre os eleitores de Jair Bolsonaro, o ceticismo prevalece: 54,6% afirmam não acreditar nas acusações de Michelle contra Flávio, enquanto 29,9% acreditam na madrasta do senador.
A fidelidade ao senador também transparece na concordância com suas posições políticas. No caso específico do desentendimento sobre o apoio do PL à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) no Ceará, 53,8% dos eleitores de Bolsonaro ficam ao lado de Flávio (que é favorável ao apoio) --36,7% concordam com a resistência de Michelle.
Impacto na candidatura presidencial
A exposição pública das feridas familiares parece cobrar um preço alto às ambições políticas de Flávio Bolsonaro. Para 64,1% dos que assistiram ao vídeo, a divulgação do conflito enfraquece a candidatura do senador à Presidência da República --sendo que 37,8% acreditam que "enfraquece muito".
A motivação por trás do vídeo também é vista com desconfiança por uma fatia considerável do eleitorado. Para 38,6% dos brasileiros ouvidos pela pesquisa, a principal intenção de Michelle Bolsonaro ao expor o enteado seria um "possível desejo de ser candidata à Presidência no lugar de Flávio".
Outros 28,5% acreditam que ela quis apenas expor divergências reais, e 22,3% veem uma tentativa de aumentar seu poder político dentro do PL.
Contexto e metodologia
O vídeo de Michelle teve um alcance significativo, com 78% dos entrevistados confirmando que assistiram ao material nas redes sociais. No entanto, a decisão de publicar o conteúdo divide opiniões: no resultado geral, 51% concordam com a atitude dela. Entre os eleitores de Jair Bolsonaro, 65,6% discordam da exposição pública.
A pesquisa Atlas/Bloomberg foi realizada entre os dias 26 e 30 de junho de 2026, utilizando a metodologia de Recrutamento Digital Aleatório (Atlas RDR) com 4.999 respondentes. A margem de erro é de ±1 ponto percentual e o nível de confiança é de 95%. O registro no TSE é BR-04582/2026.
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