O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, teceu duras críticas à privatização da Sabesp realizada pela gestão do governador Tarcísio de Freitas. Segundo Haddad, em participação na sabatina BandNews TV com os pré-candidatos ao governo paulista, o modelo adotado na desestatização da companhia foi prejudicial aos cofres públicos e aos consumidores paulistas.
Modelo de venda questionável
Para o ex-ministro, a condução do processo de privatização da estatal foi pautada por manobras que inibiram a concorrência. Haddad argumenta que o certame foi desenhado para garantir que houvesse apenas um interessado.
"Eu acho que o Tarcísio fez um péssimo negócio ao privatizar a Sabesp. Primeiro que eu não privatizaria, a Sabesp era uma empresa em ordem, uma empresa muito bem arrumada, com lucro, investindo. Podia investir mais? Podia investir mais. Mas não precisava vender a companhia para isso. Vendeu e vendeu mal. Ele fez de tudo para ter um concorrente só. Foi mudando as regras do edital, introduzindo cláusulas no edital para inibir novos concorrentes. Eles foram saindo, sobrou um, que era o que ele queria, Equatorial, que foi quem ganhou", afirmou o pré-candidato.
Haddad ainda reforça que a saída de outras empresas do processo. “Isso é uma constatação factual. A Aegea ganhou dois lotes no Rio, região metropolitana, e saiu do certame em São Paulo. Por que ela saiu? Por causa dessas cláusulas. Todo mundo sabe disso. Ela jogou o preço lá embaixo, só estava ela, ela deu o preço que ela quis”, disse.
"O que ele (Tarcísio) fez, ato contínuo? Vendeu mais 17% da companhia pelo preço do certame. Se só tem um concorrente, por que você vai vender pelo preço do certame se em Bolsa estava quase 20 reais. Vende a preço de mercado. Não! Chamou os amigos, chamou lá um grupo de interessados e escolheu para quem vender. Não leiloou, ele escolheu para quem vender. Se ele fizesse um leilão ou pulverizasse na bolsa, muito bem. Agora, escolheu para quem vender pelo preço de um concorrente? Sinceramente, não dá", pontuou.
Piora nos serviços e aumento na conta
Além das críticas à metodologia da venda, o pré-candidato aponta um retrocesso na qualidade do serviço público prestado à população. Segundo ele, os dados do Procon comprovam a insatisfação dos usuários com a nova gestão privada. "O serviço está piorando a qualidade. E não sou eu que estou dizendo, é o Procon. O Procon está dizendo que as maiores queixas de consumidores hoje em São Paulo é a Sabesp. A Sabesp está virando uma Enel da água. É isso que está acontecendo com a Sabesp", disse.
Haddad também destaca o descumprimento de promessas por parte do atual governador. "Ele prometeu baixar o preço da água. Está filmado, ele prometeu baixar o preço da conta de água. Aumentou acima da inflação", relembrou.
Por fim, o pré-candidato questiona a lógica financeira da privatização frente ao lucro projetado. "A previsão é que triplique (o lucro da Sabesp) em dois anos, vai de R $ 3bilhões para R$ 9 bilhões. Alguém vai chamar isso de bom negócio? Piorou a qualidade, aumentou o preço, aumentou o lucro dos acionistas, vendeu barato. Não é possível você tratar o patrimônio público dos paulistas dessa maneira. E eu estou falando isso do fundo do meu coração, estou falando como paulista", concluiu Haddad.
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