Relembre os candidatos que disseram 'não' aos debates na TV
De Jânio Quadros em 1960 à polarização de 2018 e 2022, ausências moldaram a história dos confrontos eleitorais na televisão

O histórico de candidatos que disseram 'não' aos debates na televisão é extenso e vai de 1960 até as últimas eleições presidenciais.
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Tradicionalmente, algum ou outro candidato costuma não ir a debates, por contextos diferentes, e há registros de episódios envolvendo Jânio Quadros, Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro.
De Jânio a FHC: a estratégia de evitar o confronto direto
O primeiro registro de recusa a um debate televisivo no Brasil ocorreu em 15 de setembro de 1960, quando a TV Tupi planejou um encontro entre candidatos no programa Pinga-Fogo.
Adhemar de Barros e o marechal Teixeira Lott aceitaram o convite, mas Jânio Quadros preferiu cumprir agenda em um comício em Recife e disse não à participação no estúdio.
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Quase três décadas depois, nas eleições de 1989, o Grupo Bandeirantes marcou a história da cobertura política ao realizar, em 17 de julho, o primeiro debate presidencial ao vivo da televisão brasileira.
Das 22 candidaturas registradas, duas ausências de peso chamaram atenção: Fernando Collor de Mello (PRN) e Ulysses Guimarães (PMDB) recusaram o convite da Band. Collor evitou todos os encontros do primeiro turno e só passou a participar dos debates da fase decisiva contra Lula.
Em 1998, a estratégia de evitar o confronto direto se tornou central na campanha de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Já presidente e candidato à reeleição, FHC decidiu não participar de nenhum debate televisivo. Ele venceu seus adversários ainda no primeiro turno, sem dividir a tela com os concorrentes.
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Cadeiras vazias e debates cancelados: o impacto das ausências
Nas eleições de 2006, a recusa em debater ganhou um elemento cênico que marcou aquele pleito. No primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) optou por não comparecer aos debates na TV, inclusive na Rede Globo, comunicando a decisão poucas horas antes do início da transmissão.
A emissora manteve no cenário uma cadeira vazia reservada ao candidato, e os concorrentes Geraldo Alckmin, Heloísa Helena e Cristovam Buarque chegaram a direcionar perguntas ao posto desocupado.
Nos ciclos seguintes, Dilma Rousseff (PT) também acumulou ausências por conflitos de agenda e divergências em relação às regras propostas. Em 2010, a candidata não participou do debate da Rede Gazeta em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo, além de faltar aos encontros da TV Canção Nova e do SBT Nordeste.
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Em 2014, divergências com o formato levaram ao cancelamento de três debates que seriam promovidos por RedeTV, TV Cultura e TV Gazeta/Estadão.
De acordo com o artigo 46, § 1º, da Lei nº 9.504/97, a legislação eleitoral autoriza as emissoras a realizar debates mesmo com a ausência de candidatos, desde que o convite formal seja enviado com antecedência mínima de 72 horas.
Segundo especialistas em direito eleitoral, essa regra permite que as redes mantenham os encontros, mas muitas acabam cancelando quando os principais nomes não confirmam presença.
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2018 e 2022: quando a polarização esvaziou os estúdios no 2º turno
O acirramento da polarização política levou a um fato inédito em 2018: pela primeira vez desde a redemocratização, não houve qualquer debate no segundo turno da eleição presidencial.
Após sofrer um atentado durante a campanha, Jair Bolsonaro (PSL) recusou todos os convites para confrontos diretos com Fernando Haddad (PT). Médicos do ex-presidente chegaram a afirmar que o candidato não estava clinicamente impedido de participar, mas a campanha decidiu manter a estratégia de evitar os encontros televisivos.
Em 2022, o cenário voltou a expor o peso das ausências. No primeiro turno, Lula (PT) recusou o convite para o debate do SBT por compromissos de campanha, e a emissora substituiu o formato por uma sabatina individual com Jair Bolsonaro (PL).
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Sem a confirmação simultânea dos dois principais candidatos, a RedeTV cancelou os debates planejados para o primeiro e o segundo turnos. A TV Aparecida, que organizaria um encontro em parceria com emissoras católicas e a CNBB, também desistiu diante da falta de resposta de Lula e Bolsonaro.
No segundo turno de 2022, o pool formado por SBT e CNN Brasil, assim como a RecordTV, optou por trocar debates por entrevistas e sabatinas isoladas com Bolsonaro após o não comparecimento de Lula.
Na avaliação de analistas políticos, a sucessão de recusas consolidou um histórico em que presidenciáveis calibram sua exposição na televisão, usando a participação ou a ausência nos debates como parte da estratégia eleitoral.
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Lista de presidenciáveis que se recusaram a participar de debates
- 1960 - Jânio Quadros
- 1989 - Fernando Collor de Mello
- 1998 - Fernando Henrique Cardoso
- 2006 - Luiz Inácio Lula da Silva
- 2010 - Dilma Rousseff
- 2018 - Jair Bolsonaro
- 2022 - Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro
Datas e regras dos debates da Band em 2026
Nas eleições de 2026, a tradição se renova na tela da Band com datas e horários definidos para o início oficial da temporada de debates no país.
- Debates estaduais (9 de agosto): Os confrontos simultâneos entre candidatos aos governos estaduais acontecerão no dia 9 de agosto, domingo, a partir das 20h;
- Debate presidencial (23 de agosto): O primeiro encontro oficial entre os candidatos à presidência está agendado para 23 de agosto, domingo, também com início marcado para as 20h.
