
O cenário político do Rio de Janeiro sofreu uma mudança na última segunda-feira, 23, com a oficialização da renúncia do governador Cláudio Castro (PL). A despedida ocorreu em uma cerimônia no Palácio da Guanabara e aconteceu um dia antes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retomar o julgamento que resultou a inelegibilidade de Castro até 2030.
Quem assume o Rio?
A saída do governador deixa o estado em uma situação institucional atípica devido à vacância total dos cargos eleitos no Executivo. Como o vice-governador, Thiago Pampolha (MDB), já havia renunciado em 2025 para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), não há um sucessor direto eleito pelo voto popular.
Diante dessa linha de sucessão vaga, quem assume o comando do governo de forma interina é o presidente do Tribunal de Justiça do Estado, Ricardo Couto. Ele permanecerá no posto apenas pelo período necessário para que a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) organize e realize uma eleição indireta, na qual os deputados estaduais escolherão quem governará o Rio até janeiro.
Ricardo Couto possui uma trajetória marcada pela ascensão técnica no Judiciário fluminense. Natural do Rio, ele se formou em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) em 1987 e consolidou sua formação com uma especialização na Universidade de Coimbra, em Portugal. Sua vida pública começou em 1989 como defensor público, cargo que ocupou após ser aprovado em primeiro lugar em concurso, marca que repetiu em 1992 ao ingressar na magistratura como juiz.
Ao longo de sua carreira, atuou em diversas frentes da primeira instância, passando por Varas Cíveis, Criminais e da Fazenda Pública na capital, até ser promovido a desembargador em fevereiro de 2008. No campo acadêmico, o magistrado é professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e coordena a área de Direito Administrativo na Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ).
Eleito com 63% dos votos para presidir o Tribunal de Justiça no biênio 2025/2026, Couto é reconhecido por seus pares como um perfil técnico, discreto e independente, tendo inclusive recebido a Medalha Tiradentes da Alerj em 2023 por seus serviços ao estado.
Processo contra Castro
O processo contra Cláudio Castro no TSE investiga o uso da Fundação Ceperj e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) para a contratação de cabos eleitorais com recursos públicos durante a última campanha. Além do ex-governador, o processo atinge o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, e o ex-vice Thiago Pampolha. Caso o tribunal confirme a condenação nesta terça-feira, 24, os envolvidos podem perder seus mandatos e ficar inelegíveis até 2030.
Essa decisão barraria os planos de Castro de disputar uma vaga no Senado ainda este ano, projeto que ele já havia sinalizado publicamente. O julgamento, que começou em 10 de março, havia sido interrompido por um pedido de vista do ministro Kassio Nunes Marques, mas agora chega à sua fase decisiva.
O ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), atual candidato ao governo do Estado, utilizou suas redes sociais para criticar duramente o ato de despedida no Palácio da Guanabara. Paes afirmou que Cláudio Castro estaria tentando fugir da justiça e que a manobra de renúncia na véspera do julgamento representa um desrespeito ao Poder Judiciário diante dos crimes apontados pela acusação do Ministério Público Eleitoral.
Com informações do Estadão Conteúdo
