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TSE adia decisão sobre pesquisa AtlasIntel acusada de ter viés político

Pedido de vista da ministra Estela Aranha fez com que sessão fosse suspensa na noite desta terça-feira

Da redação
DA REDAÇÃO

09/06/2026 • 21:36 • Atualizado em 09/06/2026 • 21:43

TSE

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Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) interrompeu, na noite desta terça-feira (9), a sessão que julgava a pesquisa AtlasIntel de intenções de votos para a Presidência da República que apontou queda acentuada nos números do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para as eleições de outubro. A suspensão da sessão ocorreu devido ao pedido de vista da ministra Estela Aranha.

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A pesquisa teve sua divulgação suspensa pelo ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, por suspeita de indução ao eleitor. O pedido de suspensão foi feito pelo Partido Liberal (PL) sob a alegação de que questionário usado na pesquisa foi construído para induzir respostas que prejudicaram Flávio Bolsonaro, “extrapolando papel de verificação da opinião pública”.

Em análise preliminar, o ministro considerou que há elementos que indicam indução para a contaminação das respostas, entre eles a divulgação de áudio de investigação, e destacou que a concessão da liminar parcial --para suspender divulgação, impulsionamento, republicação-- não indica perigo caso posteriormente se verifique a regularidade metodológica do estudo.

Os elementos trazidos aos autos após manifestação da representada reforçam, em juízo de cognição sumária, os indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada, inclusive no cotejo com os questionários de outras pesquisas registradas no TSE pela mesma empresa. --Nunes Marques

O ponto central da controvérsia, levantado pelo PL, é a suposta indução de respostas através da utilização de um áudio envolvendo o pré-candidato Flávio Bolsonaro. Em sua defesa, a AtlasIntel afirmou que o questionário principal foi concluído e submetido antes de qualquer contato dos participantes com o conteúdo audiovisual.

Segundo o instituto, após o encerramento definitivo das perguntas sobre intenção de voto --sem possibilidade de retorno ou alteração-- os respondentes eram voluntariamente redirecionados para uma página separada. Nesta interface, utilizavam a ferramenta Atlas VRC (Video Reaction Curve) para registar reações ao áudio, um processo com finalidade estritamente analítica e demográfica, distinta da sondagem eleitoral propriamente dita.

A suspensão da pesquisa deve ser confirmada ou revogada pelo colegiado do TSE. A expectativa era que o resultado fosse conhecido ainda na noite desta terça-feira, mas acabou adiado pelo pedido de vista da ministra Estela Aranha. Com isso, a decisão do ministro Nunes Marques continua válida até a retomada do julgamento.

Instituto nega irregularidade

Após a decisão de Nunes Marques, a AtlasIntel negou ter exposto os entrevistados aos áudios vazados de conversas entre o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Segundo ele, não houve indução e a ferramenta de reação a vídeos, pivô da contestação judicial, foi aplicada apenas em uma etapa posterior, independente e voluntária.

O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, esclarece que não reconhece qualquer viés político na elaboração ou aplicação deste estudo, assim como de qualquer outra pesquisa conduzida pela empresa. --AtlasIntel

A nota da empresa destacou ainda que outros institutos de pesquisa identificaram padrões de impacto semelhantes nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro no mesmo período, o que reforçaria que os dados captados refletiam uma dinâmica real da opinião pública e não uma contaminação metodológica.

A empresa permanece plenamente disposta a colaborar com as autoridades eleitorais para contribuir com o desenvolvimento de parâmetros e interpretações que acompanhem a evolução das metodologias de pesquisa, sempre em benefício da transparência, da qualidade da informação e do aperfeiçoamento do debate público. --AtlasIntel