Campanha de Lula aciona o TSE e denuncia "interferência eleitoral" da Meta
PT critica "sucessivos problemas técnicos" da plataforma que, segundo ela, prejudicam o desempenho digital do candidato

o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Brian Snyder/Reuters
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informou, em comunicado publicado neste sábado (10), que decidiu acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e apresentar denúncia à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) contra a empresa de tecnologia Meta, alegando "sucessivos problemas técnicos" nas plataformas da companhia que, segundo a equipe, prejudicam o desempenho digital do petista e favorecem a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL).
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Campanha fala em ameaça à democracia
Na nota, a equipe de Lula afirma que o poder de grandes empresas transnacionais sobre a infraestrutura de comunicação, segurança, armazenamento e fluxo de informações "desafia a soberania de nações inteiras" e se tornou foco de preocupação mundial.
Segundo o comunicado, quando esse controle é usado para influenciar decisões, manipular a percepção pública de comunidades ou tentar determinar resultados eleitorais, "o conceito de cidadania e a própria democracia são colocados em xeque".
"O controle que empresas transnacionais detêm sobre a infraestrutura de comunicação [...] é foco de crescente preocupação mundial", diz o texto divulgado pela campanha.
Relato de episódios envolvendo contas de Lula
A campanha relata que, em dezembro do ano passado, a página de Lula e de diversas lideranças da esquerda "foram subitamente retiradas do mecanismo de buscas do Instagram" e tiveram a localização de seus perfis limitada, no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados discutia o chamado Projeto da Dosimetria, sobre a redução de penas de envolvidos na tentativa de golpe.
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Ainda de acordo com o comunicado, à época a Meta atribuiu o 'sumiço' das contas a um "problema técnico".
No primeiro turno das eleições deste ano, a equipe afirma que a conta de anúncios do presidente chegou a ser retirada do ar, "até hoje sem uma justificativa formal", e que, já no início da semana de votação do segundo turno, o algoritmo da empresa "privilegiava a candidatura da direita", reduzindo o engajamento de conteúdos pró-Lula.
A inteligência da Secretaria Nacional de Comunicação do PT produziu um documento que, segundo a campanha, apontou que a página de Flávio Bolsonaro tinha em média 2,96 vezes mais engajamento que a de Lula, mesmo com 17,2% menos seguidores. Procurada, relata a nota, a Meta teria reconhecido falha e novamente atribuído o episódio a "problemas técnicos".
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Questionamentos sobre falhas e transparência da plataforma
O texto afirma que, em 8 de outubro, uma das publicações da conta oficial de Lula sofreu interrupção na contagem de visualizações, o que impactou seu alcance, e que o mesmo problema ocorreu com diversas postagens e perfis que declaravam apoio ao presidente.
A campanha diz que a empresa admitiu mais uma vez "problemas técnicos" e que, entre 9 de outubro e a manhã seguinte, o perfil de Lula foi impedido de impulsionar conteúdos no feed do Instagram, ferramenta considerada estratégica para qualquer campanha política.
Segundo o comunicado, a Meta alegou que a falha atingiu outros anunciantes e mercados, mas não apresentou evidências de que tenha afetado também outros candidatos no Brasil.
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Para a equipe, "a sucessão de problemas técnicos não explicados" levanta "forte suspeita" de tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro em benefício de Flávio Bolsonaro e evidencia "completa ausência de transparência" nos sistemas da empresa.
"A empresa precisa se explicar", diz a campanha, ao defender que o caso é uma possível tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro.
Ações anunciadas e mobilização nas redes
Na visão da campanha, os episódios narrados interferem "diretamente em avanços como o fim das BETs, da escala 6×1, além do chamado tesouraço contra programas sociais". Por isso, afirma o comunicado, "é importante que todas as medidas cabíveis sejam adotadas para que problemas alegados como técnicos não se transformem em questões de natureza política que ameacem a democracia".
Diante das situações relatadas, a equipe de Lula informou que decidiu acionar o TSE e apresentar denúncia na ANPD, com o objetivo de apurar o comportamento das plataformas da Meta durante o período eleitoral.
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Ao final da nota, a campanha conclama a mobilização da militância e afirma que os brasileiros seguirão, "cada um, como seu próprio algoritmo", ocupando páginas e perfis nas redes para tentar reeleger o presidente, com um "grande dia de mobilização" previsto para domingo (11).
