Educação nas Eleições 2026: compare os planos dos presidenciáveis
Os principais presidenciáveis para as eleições de 2026 apresentam caminhos distintos para a educação no Brasil. Os planos vão da prioridade à educação básica

Os principais presidenciáveis para as eleições de 2026 apresentam caminhos distintos para a educação no Brasil. Os planos vão da prioridade à educação básica e à alfabetização até mudanças profundas na gestão do ensino superior e no papel das escolas privadas.
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Veja a seguir como as candidaturas organizam suas propostas e quais são os pontos de contraste.
Alfabetização e educação básica
Na área de educação básica, os programas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Ronaldo Caiado (PSD) colocam a alfabetização no centro, mas com estratégias diferentes. Já Augusto Cury (Avante) concentra suas propostas em uma mudança de método pedagógico dentro das escolas.
Lula aponta a educação básica como prioridade de governo e pretende atuar em regime de colaboração com estados e municípios para atacar gargalos históricos. O plano prevê ampliar vagas em creches e expandir a educação em tempo integral, com apoio de recursos do Novo PAC para retomar obras paralisadas e construir novas unidades.
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A meta é chegar a 80% das crianças alfabetizadas na idade adequada, além de manter o programa de poupança Pé-de-Meia como incentivo para reduzir a evasão no ensino médio.
O candidato Ronaldo Caiado propõe concentrar a ação federal no Pacto Nacional pela Alfabetização e Matemática na Idade Certa. O objetivo é que todas as crianças leiam, escrevam, compreendam textos e dominem fundamentos de matemática até o fim do 2º ano do ensino fundamental.
Para isso, ele prevê que a União forneça materiais pedagógicos baseados em evidências, avaliações diagnósticas periódicas e tutoria, além de apoio técnico e financeiro condicionado a resultados com foco em equidade.
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Augusto Cury, por sua vez, defende uma revolução pedagógica inspirada em sua Teoria da Inteligência Multifocal. A proposta da chamada Escola de Pensadores, operacionalizada pelo método Soft (School of Thinkers), pretende substituir o modelo de aula expositiva por uma dinâmica em que o professor atua como provocador da arte de perguntar e estimular o pensamento crítico.
O plano prevê ainda a inclusão obrigatória da disciplina Gestão da Emoção no currículo, como ferramenta de prevenção a ansiedade, depressão, automutilação, bullying e violência.
Gestão universitária e inovação
Na organização do ensino superior, Romeu Zema (Novo) apresenta uma proposta estrutural que mexe na divisão de atribuições dentro do governo federal. A ideia é separar de forma rígida a responsabilidade pela educação básica e pela educação universitária, aproximando esta última das políticas de ciência e tecnologia.
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Zema defende transferir a governança do ensino superior do Ministério da Educação para o Ministério de Ciência e Tecnologia. Nesse desenho, o MEC ficaria responsável pela educação infantil, ensino fundamental, médio e técnico, enquanto o ensino universitário seria administrado junto com o financiamento de pesquisas e o desenvolvimento tecnológico.
Segundo o plano, essa integração permitiria alinhar a produção científica às demandas de inovação do mercado e do setor produtivo.
O candidato do Novo propõe também alterar a forma de escolha de reitores de universidades e institutos federais. Em vez de eleições internas, ele sugere processos de seleção técnica com participação de conselhos externos.
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A proposta inclui ainda premiar financeiramente as instituições com base em indicadores de desempenho acadêmico e empregabilidade dos formandos, com prioridade para cursos nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).
Na prática, essas mudanças deslocam o eixo da política universitária em direção a metas de produtividade, inovação tecnológica e inserção no mercado de trabalho, diferenciando a visão de Zema das plataformas que defendem maior expansão direta do sistema público e maior intervenção estatal sobre o setor privado.
Fim de vestibulares e estatização
No outro extremo do debate, candidaturas de esquerda como Edmilson Costa (PCB), Samara Martins (UP) e Hertz Dias (PSTU) defendem alterar de forma profunda o modelo de acesso ao ensino superior e o papel da iniciativa privada na educação.
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Edmilson Costa propõe um sistema de ensino totalmente público, gratuito e laico, da creche à pós-graduação. Para isso, sua plataforma prevê a estatização completa de todo o sistema privado de ensino. No ingresso às universidades federais, ele defende o fim definitivo do vestibular, a ampliação das cotas sociais e raciais e a universalização da reserva de vagas para a população trans.
Samara Martins também rejeita a ideia de educação como mercadoria e defende destinar 10% do PIB brasileiro à educação pública. Sua proposta estabelece como prioridade o livre acesso ao ensino superior público, com o fim do vestibular e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como instrumentos de seleção, alterando de forma radical o modelo vigente.
Já Hertz Dias concentra críticas na influência de institutos e fundações privadas sobre políticas da rede básica. Ele sustenta o princípio de nenhuma verba pública para os grandes empresários da educação, com a extinção de Parcerias Público-Privadas e terceirizações no setor.
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No campo curricular, o PSTU defende revogar de imediato a Base Nacional Comum Curricular e o Novo Ensino Médio, substituindo-os por diretrizes elaboradas diretamente por trabalhadores da educação, com foco em uma formação considerada completa, crítica e científica.
Com essas propostas, o bloco de candidaturas de esquerda se distingue ao defender a eliminação dos mecanismos de seleção como vestibulares e Enem e a estatização da rede privada, em contraste com programas que priorizam metas de alfabetização, reorganização ministerial ou incentivos de desempenho para universidades.
