EUA ou ruptura global: o que pensam os presidenciáveis sobre geopolítica
Nas eleições presidenciais de 2026, alguns dos candidatos apresentam projetos de política externa e soberania nacional que vão do alinhamento com democracias

Nas eleições presidenciais de 2026, alguns dos candidatos apresentam projetos de política externa e soberania nacional que vão do alinhamento com democracias ocidentais à ruptura com o imperialismo e à busca de autonomia tecnológica, indicando caminhos distintos para a posição geopolítica do Brasil.
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As propostas tratam de participação em blocos internacionais, relação com os Estados Unidos, uso de recursos estratégicos e atuação em organismos multilaterais. A seguir, veja de forma comparativa os principais eixos da política externa defendida por cada chapa.
Alinhamento ocidental e saída dos BRICS
No campo liberal, Romeu Zema (Novo) detalha em seu plano de governo, apresentado como "Plano Implacável", uma política externa que busca aproximar o Brasil de democracias consideradas parceiras naturais e reduzir vínculos com regimes classificados como autoritários.
Entre as diretrizes, Zema propõe retirar o Brasil do BRICS por meio de negociação diplomática. Segundo a proposta, a saída do bloco deve preservar as relações comerciais com países como China e Rússia, mas evitar alinhamentos políticos que, na visão do candidato, possam contrariar valores constitucionais e democráticos.
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O programa do Novo inclui ainda a meta de ingresso na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Para o candidato, o processo de adesão exige reformas institucionais e econômicas que, conforme sustenta, ampliariam a atratividade do Brasil para investimentos.
Na América do Sul, Zema defende transformar o Mercosul em uma zona de livre comércio, com redução de barreiras e maior flexibilidade para acordos bilaterais diretos com outros países, em busca de diversificação de parceiros.
Bloco anti-imperialista e ruptura com os EUA
Na outra ponta do espectro, candidaturas de orientação marxista e socialista estruturam plataformas voltadas ao enfrentamento do que classificam como "imperialismo econômico" e influência de potências capitalistas.
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Rui Costa Pimenta (PCO) vincula a defesa da soberania nacional à oposição à ingerência estrangeira e à internacionalização de recursos naturais, em especial na Amazônia. O plano de governo do PCO prevê maior controle de organizações populares e indígenas sobre as riquezas do território e expressa rejeição à presença dos Estados Unidos e da Organização dos Estados Americanos (OEA) na região.
Em sua política externa, a chapa de Rui Costa Pimenta manifesta solidariedade política a países como Cuba, Nicarágua e Venezuela, que o partido aponta como referências de resistência ao imperialismo.
Edmilson Costa (PCB) sustenta um projeto de Poder Popular e internacionalismo proletário, com apoio ativo a povos e nações em luta por autodeterminação, citando Palestina, Cuba, Venezuela e Irã. O programa prevê medidas como o fim de todos os acordos militares com os Estados Unidos e a retomada integral da Base de Alcântara.
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O plano do PCB propõe ainda a revogação de contratos que envolvam terras raras e minerais estratégicos, a estatização e o monopólio estatal sobre minerais críticos e sobre toda a indústria de defesa, incluindo empresas como Avibrás e Taurus. Em fóruns internacionais, o partido defende o encerramento da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), de estruturas como o Conselho de Segurança da ONU e de outras instituições que classifica como instrumentos do imperialismo.
Tecnologia nuclear e autonomia de defesa
As diferenças entre as chapas também aparecem na utilização de tecnologia nuclear e na concepção de autonomia de defesa.
Renan Santos (Missão) apresenta no chamado "Livro Amarelo" a proposta de nuclearização brasileira como eixo central de sua agenda geopolítica. O objetivo declarado é atingir autonomia completa em todo o ciclo do combustível nuclear, incluindo reprocessamento em território nacional.
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De acordo com o plano, essa capacidade tecnológica deve se converter em ativo estratégico de deterrência militar, entendida pelo candidato como ferramenta para garantir de forma ampla a soberania do país e sua capacidade de defesa.
O projeto de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue direção distinta ao estabelecer que o desenvolvimento nuclear brasileiro, como política de Estado, deve ter uso exclusivamente pacífico. O plano petista apoia o avanço da autonomia no ciclo do combustível e a exploração responsável de urânio, mas direciona as aplicações para setores científico, energético, de saúde e pesquisa.
A política externa defendida por Lula se baseia em multilateralismo ativo e cooperação global. O programa rejeita alinhamentos automáticos e propõe inserção independente, com fortalecimento de laços nos BRICS, G20, ONU, OMC e União Africana.
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O plano também menciona a defesa de reformas em instituições como FMI, Banco Mundial, Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) e Conselho de Segurança da ONU, com foco em ampliar a representação do Sul Global por meio de diálogo e negociação.
