'Lula apostou as fichas e conseguiu fôlego', avalia especialista
CEO do instituto Nexus analisa que 'caixa de ferramentas' do governo e episódio da Padroeira favoreceram preside
A seis dias do primeiro turno das eleições presidenciais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu reabrir vantagem nas pesquisas ao acionar a "caixa de ferramentas" do cargo e dominar a narrativa política da reta final. A avaliação foi feita pelo CEO do instituto Nexus, Marcelo Tokarski, em entrevista ao programa Band Eleições desta segunda-feira (29).
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Segundo o especialista, medidas como a proibição das bets, o anúncio do reajuste de 15% do Bolsa Família e os desdobramentos da polêmica envolvendo a Padroeira do Brasil nas redes sociais permitiram ao candidato à reeleição ganhar fôlego e ampliar a liderança sobre Flávio Bolsonaro (PT).
Conforme destacou Tokarski, a distância entre os dois principais candidatos havia encurtado para cerca de três pontos percentuais em todas as pesquisas há duas ou três semanas. Nos dados mais recentes dos institutos BTG/Nexus e Genial/Quaest, porém, a vantagem de Lula voltou a subir. O analista explicou que as diferenças das pesquisas decorrem de aspectos metodológicos: enquanto a Quaest apresenta voto branco e nulo de forma estimulada como opção ao entrevistado, o Nexus contabiliza esse voto só de forma espontânea.
Ganhos no eleitorado católico e recuo de Flávio entre evangélicos
De acordo com o CEO do Nexus, a pauta religiosa e as recentes medidas do governo tiveram reflexo direto no comportamento do eleitorado. A vantagem de Lula entre os eleitores católicos --grupo que representa metade do eleitorado do país-- saltou de 10 para 14 pontos percentuais na pesquisa Nexus. No mesmo período, a margem de liderança de Flávio Bolsonaro entre o eleitorado evangélico caiu de 25 para 19 pontos.
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Muito disso pode ser em devido à informação falsa que chegou a ser veiculada afirmando que Flávio Bolsonaro tiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A informação foi desmentida pela campanha do senador, e decisões dos ministros André Mendonça e Luiz Fux determinaram a remoção de posts sobre o assunto das redes sociais.
Tokarski ponderou que ainda é difícil determinar se essa movimentação representa uma tendência consolidada ou uma oscilação temporária. Contudo, destacou que o conjunto de fatores impulsionou o desempenho do atual presidente na reta decisiva.
Lula apostou as fichas, dominou um pouco a narrativa da campanha e conseguiu esse fôlego. --Marcelo Tokarski
A mística do 1º lugar e os desafios até a votação
A entrevista abordou ainda o peso histórico da liderança nas pesquisas a uma semana da votação. Em todas as últimas nove eleições presidenciais desde 1989, o candidato que aparecia em primeiro lugar a uma semana do primeiro turno acabou confirmando a vitória nas urnas.
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No entanto, Tokarski ressaltou que esse histórico "não é uma regra escrita em pedra". Como exemplo, lembrou a eleição de 2022, quando Jair Bolsonaro (PL) tornou-se o primeiro presidente a não obter a reeleição desde a redemocratização.
Para o analista, embora a liderança traga motivação ao eleitorado, o cenário para os seis dias restantes de campanha continua aberto. A dúvida que permanece para o próximo domingo (4), concluiu Tokarski, é se Lula conseguirá sustentar até o fim o fôlego conquistado na reta final.
Como funciona uma pesquisa eleitoral
As sondagens de intenção de voto seguem critérios estatísticos para representar a composição do eleitorado nacional por renda, escolaridade, idade e região. Entender a metodologia, as amostras e o financiamento dos levantamentos é essencial para acompanhar o cenário político, sendo possível verificar como funcionam as pesquisas eleitorais e quem paga por elas.
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Como identificar pesquisas falsas
Com a proximidade do pleito, a circulação de levantamentos não registrados ou adulterados tende a aumentar nas redes sociais. Para evitar desinformação, é fundamental consultar o registro oficial no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e saber como identificar pesquisas eleitorais falsas antes de compartilhar dados sobre a disputa.
