Pesquisas eleitorais erraram no 1º turno das eleições? Especialistas opinam
Por que os institutos de pesquisa não conseguiram capturar as variações expressivas de votos na reta final do 1º turno
O primeiro turno das eleições foi marcado por reviravoltas na reta final que não foram totalmente dimensionadas pelos institutos de pesquisa. Segundo especialistas ouvidos pelo Jornal da Band, as principais sondagens do país enfrentaram dificuldades para registrar o comportamento do eleitorado nos dias que antecederam a votação, especialmente em disputas acirradas para o governo estadual e para a Presidência da República.
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No Rio de Janeiro, o candidato Douglas Ruas (PL) apresentou um crescimento expressivo na reta final da disputa, chegando a um patamar que surpreendeu os levantamentos divulgados na véspera. Cenário semelhante ocorreu na disputa presidencial, com um avanço rápido de Flávio Bolsonaro nos dias anteriores ao pleito que tampouco foi totalmente capturado pelos cinco principais institutos que divulgaram pesquisas na véspera da votação.
A dificuldade em captar a reta final
Para os especialistas, o desafio principal residiu na velocidade com que o eleitor fluminense e brasileiro passou a tomar suas decisões de voto, concentrando as escolhas nos momentos mais próximos ao dia do pleito.
Maurício Moura, fundador do Instituto Idea, aponta que o cenário reflete um comportamento inédito em ciclos recentes de votação:
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"Começando a ter uma percepção de que o eleitor fluminense, ele está tomando a decisão muito próximo do dia da eleição, na eleição de governador, porque é o terceiro ciclo que a gente tem arrancadas muito grandes num espaço curto de tempo."
O especialista também detalha o volume de eleitores indecisos na véspera do pleito para a presidência:
"Até o momento da véspera da eleição, a gente tem indeciso e tem abstenção. Só para dar um número, na média das pesquisas no sábado, a gente tinha mais ou menos 10% a 11% de indecisos na espontânea para presidente. Ou seja, pessoas que na véspera não conseguiam falar o nome de um candidato."
As empresas erraram?
Murilo Hidalgo, presidente da Paraná Pesquisas, avalia o desempenho dos levantamentos frente ao crescimento de candidaturas na reta final:
"As empresas erraram? Não, as empresas não erraram, elas mostram tendência, e a tendência era o Flávio crescendo. Chegou na urna, houve uma velocidade maior da diminuição dos candidatos e houve uma onda final pró-Flávio que as pesquisas pegaram isso."
Hidalgo detalha ainda a evolução do candidato Douglas Ruas no estado fluminense:
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"O Douglas Ruas, ele arrancou com 14, 15, e ele chegou na última semana com 40. Mas uma tendência do crescimento do Ruas tinha, mas não tão forte a ponto de virar."
Os especialistas concordam que a dinâmica do eleitorado no último momento — impulsionada por debates, conversas familiares e análises de última hora — torna cada vez mais complexo o mapeamento exato das tendências finais de voto pelos institutos de opinião pública.
