Eleições
Jornal da Band

PF investiga rota da fuga de Flávio; plano pode ter passado pela Venezuela

Abin acionou fronteiras e governo argentino afirmou não ter registro de entrada do parlamentar no país

3 min

27/10/2026 19:46 • Atualizado há 2 horas

A Polícia Federal investiga os caminhos usados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos com a mulher e as duas filhas, sem passar por controles migratórios, enquanto órgãos de inteligência e fronteira foram acionados desde a manhã desta terça-feira (27) em Brasília.

Continua depois da publicidade

Casa fechada em Brasília e silêncio entre aliados

A residência de Flávio Bolsonaro na capital federal amanheceu com janelas fechadas e nenhuma movimentação aparente. Repórteres que estiveram no local relataram que ninguém atendeu ao interfone do imóvel.

Segundo aliados do senador, tentativas de contato por telefone e pessoalmente não tiveram resposta ao longo do dia. Dentro da casa, havia apenas o som de músicas de louvor, de acordo com relatos de quem esteve na vizinhança.

Versão argentina sobre trajeto por Foz do Iguaçu

Ainda de madrugada, o site argentino Infobae, um dos principais veículos de notícias do país, publicou que Flávio havia deixado o Brasil. De acordo com essa reportagem, ele saiu de jatinho de Brasília com destino a Foz do Iguaçu, no Paraná.

Continua depois da publicidade

Na sequência, teria cruzado a fronteira até Puerto Iguazú, já em território argentino, utilizando documento de identidade. Em Puerto Iguazú, um avião particular estaria à espera para levá-lo aos Estados Unidos.

Jato em solo e versão de "problema no embarque"

Segundo sites especializados em aviação, o modelo de aeronave reservado seria semelhante a um Gulfstream G400, com capacidade para até 12 pessoas e autonomia superior a 7 mil quilômetros sem reabastecimento.

Essas plataformas de rastreamento de voos, porém, indicam que o jato não decolou e permaneceu parado no aeroporto. Conforme a imprensa argentina, a falta de decolagem teria ocorrido por “problemas no embarque de um passageiro”.

Continua depois da publicidade

Argentina nega entrada e pedido de asilo

O controle de imigração do governo argentino afirma que não há registro de entrada de Flávio Bolsonaro no país. O porta-voz do presidente Javier Milei também declarou que o senador não solicitou asilo político à Argentina.

Com isso, autoridades brasileiras trabalham com a hipótese de que, se Flávio saiu do Brasil, o fez por rotas alternativas e fora dos controles oficiais.

Hipótese de saída pelo Norte e via Venezuela

Segundo pessoas próximas ao senador, a ideia inicial era que apenas a mulher e as filhas saíssem do Brasil, por motivos de segurança. Depois da ordem de apreensão dos passaportes, Flávio teria mudado de plano e decidido acompanhar a família.

Continua depois da publicidade

Outra rota em análise pela Polícia Federal é pelo Norte do país, com passagem por Roraima e, em seguida, pela Venezuela.

Investigadores apuram registros de voos e possíveis deslocamentos terrestres nessa região, em meio à busca por pistas sobre o caminho percorrido pelo senador até deixar o Brasil.

PF cancela passaportes após ordem do STF

Flávio Bolsonaro não entregou os passaportes brasileiro, italiano e diplomático dentro do prazo determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

Continua depois da publicidade

A Polícia Federal informou ao STF que não estava conseguindo localizar o senador e, diante disso, procedeu ao cancelamento dos documentos.

Flávio responde a três inquéritos que tramitam no Supremo, e, segundo interlocutores próximos, há expectativa de que ele peça asilo político ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Declaração recente contrasta com saída

Na véspera, o próprio Flávio Bolsonaro havia negado a intenção de deixar o país. “Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”, afirmou o senador.

Continua depois da publicidade

O coordenador de sua campanha, senador Rogério Marinho, e o irmão, ex-deputado Eduardo Bolsonaro, chegaram a negar publicamente que ele tivesse deixado o Brasil.

Ao longo do dia, porém, amigos e aliados relatam que não conseguiram contato com Flávio nem com a mulher, Fernanda, e a assessoria do parlamentar não respondeu onde ele estaria.