Governo interino do Rio de Janeiro exonera mais de 2.500 servidores
Reforma administrativa foca no corte de cargos comissionados e indicações políticas; medida mira economia aos cofres públicos e combate a irregularidades

O governo interino do Rio de Janeiro promoveu uma ampla reforma administrativa, resultando na exoneração de mais de 2.500 servidores em menos de dois meses. A medida, iniciada desde o final de março, quando o desembargador Ricardo Couto assumiu o comando do Executivo estadual, tem como alvo principal ocupantes de cargos comissionados, preenchidos por indicação política e sem a necessidade de concurso público.
Continua depois da publicidade
A expectativa da gestão estadual é que a "limpeza" na máquina pública gere uma economia de milhões de reais aos cofres fluminenses. A reestruturação ocorre em um momento em que o Palácio Guanabara busca não apenas reduzir despesas, mas também realizar um pente-fino em nomeações vinculadas a figuras citadas ou investigadas em operações policiais recentes.
Impacto das exonerações nas secretarias
As pastas mais afetadas pela reforma administrativa são as secretarias de Casa Civil e de Governo, que, juntas, somam mais de 870 dispensas. Na sequência, os setores com o maior número de desligamentos incluem a Secretaria do Ambiente, o Detran, o Departamento de Transportes e a Secretaria de Educação.
De acordo com o especialista em gestão pública Jerson Carneiro, a reforma é abrangente. "Também vai haver um corte do que o povo entende como penduricalhos adicionais, verbas indenizatórias. Quando você faz uma reforma administrativa, você corta isso", pontua.
Continua depois da publicidade
Investigações e ligações políticas
Além da economia, a reestruturação tem um viés de combate a possíveis irregularidades. Cerca de 20% dos mais de 200 servidores exonerados no início desta semana eram lotados na Secretaria de Estado de Fazenda.
Investigações da Polícia Federal indicaram que o órgão teria se tornado, na prática, uma extensão da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. Segundo a PF, cargos estratégicos dentro do governo de Cláudio Castro estariam sendo utilizados para beneficiar o grupo empresarial, que possui uma dívida de 52 bilhões de reais em impostos.
As mudanças administrativas também abrangem o desligamento de nomes vinculados a deputados próximos a Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, preso sob acusação de envolvimento com a facção criminosa Comando Vermelho. Antes deste movimento de enxugamento da máquina, o governo fluminense contava com mais de 14 mil cargos comissionados. A administração estadual segue realizando trocas de pessoal em dez secretarias diferentes nesta semana.
