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Política

Mimos de luxo e viagens: o que revela apuração do STF contra Ciro Nogueira

Informações de inquérito sob relatoria de André Mendonça têm sigilo levantado

4 min

12/09/2026 12:17 • Atualizado há 42 dias

Mimos de luxo e viagens: o que revela apuração do STF contra Ciro Nogueira

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) teria recebido uma série de mimos de luxo e vantagens indevidas do banqueiro Daniel Vorcaro, segundo aponta investigação da Polícia Federal cujo sigilo foi levantado na noite de sexta-feira (11) por determinação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. O inquérito apura se o conjunto de regalias funcionou como contrapartida para a defesa dos interesses do Banco Master no Congresso Nacional.

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Entre os "presente" detalhados nos documentos das investigações da PF estão: custeio de viagens internacionais para Nova York e à estação de esqui de Courchevel, uso de aeronaves particulares, utilização de imóvel pertencente ao banqueiro Daniel Vorcaro e pagamento de despesas pessoais.

Em maio deste ano, durante a quinta fase da Operação Compliance Zero, a PF já tinha divulgado o suposto custeio da viagem à Nova York, incluindo sua estadia no Park Hyatt New York, hotel de luxo em Manhattan. As diárias do hotel variam de US$ 1.597 a mais de US$ 10 mil, a depender da categoria da acomodação, o que equivale, em conversão aproximada, a valores entre R$ 8 mil e R$ 50 mil.

A principal contrapartida investigada refere-se à apresentação da de uma emenda à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023, protocolada por Ciro Nogueira na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em agosto de 2024. A proposta pretendia elevar o teto de garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. Apelidada no mercado financeiro de "Emenda Master", medida beneficiaria diretamente instituições de médio porte com captação focada em renda fixa.

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A análise técnica efetuada nos dispositivos apreendidos na Operação Compliance Zero reconstruiu a engenharia da proposta:

  • Elaboração interna no banco: Metadados do arquivo em Word comprovam que o texto original foi criado em 30 de julho de 2024 pelo advogado João Antonio Bias Dall'Ava, funcionário do Banco Master.
  • Revisão e impressão: Na manhã de 13 de agosto de 2024, às 09:41, Vorcaro cobrou a versão final do texto a André Kruschewsky Lima, então diretor jurídico da instituição, e em seguida solicitou que o papel fosse impresso e colocado em um envelope.
  • Entrega no endereço residencial: Vorcaro instruiu a entrega do envelope na "QI 15 conj 5 casa 3 lago sul", constando "Daniel" como remetente e "Ciro" como destinatário, endereço que a Polícia Federal confirmou corresponder à residência oficial do senador perante a Receita Federal.
  • Cópia e cola literal no Senado: O envelope foi entregue às 12:39 e, às 17:57 do mesmo dia, a emenda deu entrada no sistema do Senado, sendo assinada e protocolada pelo parlamentar com texto idêntico ao redigido dentro do banco.

Bastidores de WhatsApp: 'Bomba Atômica' e 'Hecatombe'

Nas horas seguintes ao protocolo, mensagens interceptadas pela Polícia Federal registraram a comemoração do controlador do Banco Master com a medida:

  • Ao encaminhar o documento assinado por Ciro Nogueira ao diretor jurídico do banco, Vorcaro escreveu: "Vai ser hecatombe isso".
  • Em conversa com a companheira Martha Graeff, descreveu a medida como uma "bomba atômica" no mercado financeiro, acrescentando que "se fosse filme não teria tantos desdobramentos loucos".
  • Para o operador financeiro Luiz Rennó, Vorcaro enviou o link do Senado e afirmou que o FGC já estava entrando em contato.
  • Em diálogo com outro interlocutor, Vorcaro confirmou expressamente que a emenda publicada era a versão exata encaminhada por ele.

Apesar da articulação, a proposta acabou sendo rejeitada pelo relator da PEC na CCJ, senador Plínio Valério.

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Bloqueio financeiro de R$ 10,2 milhões

A investigação abrange também a apuração de repasses mensais de valores pela empresa BRGD Investimentos, operações societárias de aquisição de participações com deságio expressivo e suspeitas de lavagem de dinheiro por meio da empresa CN Motos através de depósitos fracionados em espécie.

No curso da 5ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 7 de maio de 2026, o STF aplicou medidas cautelares severas, incluindo o bloqueio financeiro de mais de R$ 10,2 milhões em contas e aplicações de Ciro Nogueira e o sequestro de sua aeronave Beech Aircraft B200 (prefixo PT-WSX).

O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet Branco, manifestou-se a favor da instauração de inquérito formal sob a suspeita dos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Em agosto de 2026, o relator ministro André Mendonça deferiu a prorrogação das apurações por mais 60 dias.

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Posicionamento da defesa

A defesa de Ciro Nogueira, representada pelo advogado Conrado Almeida Corrêa Gontijo, declarou nos autos que o parlamentar está à inteira disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e demonstrar a improcedência das suspeitas. A defesa requereu ao STF o acesso e o espelhamento de todas as mídias eletrônicas apreendidas e pediu a instauração de apuração sobre o vazamento de peças sigilosas do inquérito para a imprensa.

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