A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (7), a quinta fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes ligadas ao Banco Master.
A reportagem do Grupo Bandeirantes apurou que entre os alvos de busca e apreensão está o senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI). O mandado foi cumprido no apartamento do parlamentar em Brasília.
A operação tem o objetivo de aprofundar investigações sobre um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Agentes federais cumprem, ao todo, dez mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal.
A decisão judicial autorizou, ainda, o bloqueio de bens, direitos e valores no valor de R$ 18,85 milhões.
Em nota, a defesa do senador repudiou qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente na atuação parlamentar, e reiterou o compromentimento de Ciro Nogueira em contribuir com a Justiça, “a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos”.
“Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas”, diz trecho da nota.
Mesadas de até R$ 500 mil
A investigação da PF aponta que Ciro recebia repasses mensais de Vorcaro no valor de R$ 300 mil, que teriam sido posteriormente aumentados para R$ 500 mil.
“Os investigadores apontam ter sido Felipe quem operacionalizou a chamada ‘parceria BRGD/CNLF’, ligada aos pagamentos mensais em favor do senador, correspondentes, inicialmente, ao valor de R$ 300 mil, com indícios de que teriam sido posteriormente aumentados para a importância de R$ 500 mil”, diz trecho do documento.
Ciro usou mandato para beneficiar Vorcaro
A PF aponta ainda que o senador é apontado como destinatário central das "vantagens indevidas". Segundo os investigadores, Ciro "instrumentalizou o exercício do mandato parlamentar em favor dos interesses privados" de Vorcaro.
Em novembro de 2023, Vorcaro teria ordenado a retirada, da residência do senador, de envelopes que conteriam minutas de projetos de lei de seu interesse, posteriormente levados a “escritório” indicado por ele para revisão e, em seguida, entregues, já processados, a servidor vinculado ao parlamentar.
Celular de Vorcaro tinha minutas de projetos
Delegados da PF afirmam que foram encontrados no celular do banqueiro "minutas e documentos" de projetos que foram discutidos com o senador, todos para ajudar Vorcaro.
"No plano patrimonial, aponta-se a percepção de vantagens reiteradas, materializadas por pagamentos mensais, aquisição societária com expressivo deságio, custeio de despesas pessoais e fruição de bens de elevado valor, além de indícios de recebimento de numerário em espécie", diz o documento.
Emenda que ampliaria cobertura do FGC foi feita pelo Master
A investigação aponta ainda que uma emenda apresentada por Ciro para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão foi elaborada pela assessoria do Banco Master.
“Segundo os autos, o texto da emenda foi elaborado pela assessoria do Banco Master, encaminhado por André Kruschewsky Lima a Daniel Vorcaro, impresso e entregue em envelope endereçado a ‘Ciro’, no endereço residencial do senador, coincidente com aquele constante de seus dados fiscais”.
Nos documentos, Vorcaro afirmou, logo após a publicação da proposta de emenda, que o ato legislativo “saiu exatamente como mandei”, ao passo que interlocutores do banco registraram que a medida “sextuplicaria” o negócio do Master e provocaria verdadeira “hecatombe” no mercado.
Delação de Vorcaro irrita Mendonça
Segundo Mônica Bergamo, colunista da BandNews FM, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, está insatisfeito com uma segunda versão da delação entregue à PF e à PGR depois que a primeira foi recusada por falta de detalhes.
Quem é Ciro Nogueira
Ciro Nogueira nasceu em 21 de novembro de 1968 em Teresina, no Piauí. Ele é advogado formado pela PUC do Rio de Janeiro. O político foi ministro-chefe da Casa Civil durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O parlamentar foi deputado federal por quatro mandatos e chegou ao Senado em 2011, sendo eleito novamente em 2018. Desde 2013, Ciro Nogueira preside o Progressistas.
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