A Agência Nacional do Cinema (Ancine) iniciou um processo administrativo contra os produtores do filme "Dark Horse", obra que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A medida fundamenta-se no descumprimento da legislação nacional, que exige uma comunicação prévia à agência para a realização de filmagens de obras estrangeiras em território brasileiro.
De acordo com as normas vigentes, essa comunicação deve incluir a cópia do contrato da produtora, documentos das empresas e equipes envolvidas, além de um plano de trabalho detalhado. Segundo a Ancine, a produtora GoUP, responsável pela cinebiografia, não enviou nenhum desses documentos obrigatórios. A empresa, que afirma ter sede na Califórnia, produziu o filme em língua inglesa.
Caso a infração seja comprovada ao final do processo, a produtora GoUP poderá enfrentar sanções financeiras. As multas previstas para esse tipo de irregularidade variam entre R$ 2.000 e R$ 100 mil. O filme ainda não estreou, nem tem data oficial de quando será seu lançamento.
Crise política e investigação
O filme "Dark Horse" tem sido pivô de controvérsias que ultrapassam a esfera cinematográfica. A produção está ligada a uma crise na campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, deflagrada após a revelação de mensagens que sugeriam a cobrança de valores ao empresário Daniel Vorcaro, preso desde março por supostas fraudes.
Atualmente, existe uma investigação da Polícia Federal para apurar o destino desses recursos. Há suspeitas de que o montante, solicitado sob o pretexto de financiar o longa-metragem sobre o ex-presidente, tenha sido utilizado, na realidade, para custear despesas pessoais do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos.
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