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Filme sobre Bolsonaro: produtora detalha bastidor, investimento e contratos

Produtora Karina Gama esclarece origem dos recursos internacionais e papel de Eduardo Bolsonaro na produção

LEANDRO SANT'ANA

19/05/2026 • 21:44 • Atualizado em 20/05/2026 • 14:48

Jair Bolsonaro ganhará filme biográfico

Jair Bolsonaro ganhará filme biográfico

REUTERS/Adriano Machado

A produção de um filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, com orçamento milionário e estrelas de Hollywood, colocou a produtora Karina Ferreira Gama no centro de um furacão político e financeiro.

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Em entrevista exclusiva à equipe de reportagem da Band, Karina detalhou como viabilizou US$13 milhões (cerca de R$ 65 milhões) para o projeto, negou o uso de verba pública na cinebiografia e explicou a estrutura de suas entidades que recebem recursos parlamentares.

Segundo Karina, o filme não é uma iniciativa recente, mas um plano de cinco anos que ganhou corpo com a polarização política. A ideia nasceu em uma conversa com o ex-secretário de Cultura Mário Frias, que escreveu o argumento inicial do roteiro. Ela afirma que um amigo conhecia o ator americano Jim Caviezel, conhecido por “A Paixão de Cristo” (2004). Ele viu o roteiro e gostou da história.

Sobre o financiamento, Karina disse que o dinheiro vem do fundo americano Heaven's Gate. "Quem fez due diligence em mim foi o Heaven's Gate. Eu não fiz due diligence no Heaven's Gate", afirmou ela. Due diligence é um processo de investigação e análise prévia para verificar riscos, informações e a segurança de uma operação ou parceria.

No caso, Karina explicou que, como produtora, não caberia a ela investigar a origem dos recursos de um banco ou fundo de investimento. Até o momento, ela afirma que a produção já consumiu US$ 13 milhões, e o filme está em fase final de pós-produção nos Estados Unidos.

Daniel Vorcaro e Banco Master

Questionada sobre o envolvimento de Daniel Vorcaro e do Banco Master como possíveis financiadores do fundo, Karina afirmou ter tido conhecimento pela imprensa: "O Daniel Vorcaro em 2024... ele era o maior empresário do Brasil. Ele tinha acesso de Supremo à Presidência da República", disse ela.

O papel de Eduardo Bolsonaro

Um dos pontos de maior curiosidade é a participação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL). Karina confirmou que ele assina como produtor-executivo e realizou um aporte financeiro inicial. No entanto, Karina afirmou que o ex-deputado “não pegou verba pública, não demandou emenda, nada disso. Ele tinha o dinheiro dele, privado, da conta dele, pessoal". Segundo ela, o recurso teria sido utilizado especificamente para o sinal da escrita do roteiro.

A entrevista também abordou as denúncias de que ONGs presididas por Karina estariam recebendo emendas para o filme. Ela negou, explicando que gere duas entidades distintas: o Instituto Conhecer Brasil (tecnologia e social) e a Academia Nacional (cultura).

De acordo com a produtora, as emendas de parlamentares como Bia Kicis e Marcos Pollon são para documentários educativos e sociais, como "Portugal, Luz para o Brasil" e "José de Anchieta". "Não é um projeto que a gente vai vender, que vai pôr em sala de cinema... Serão documentários disponibilizados em programas sociais", esclareceu, revelando que sequer recebeu os recursos dessas emendas até o momento.

Sobre o contrato de fornecimento de Wi-Fi com a Prefeitura de São Paulo, Karina Gama defendeu a legalidade da escolha de sua ONG. Ela alegou que o edital era voltado ao terceiro setor para projetos sociais em comunidades. Karina admitiu problemas com um fornecedor de tecnologia, contra o qual abriu um processo criminal, mas garantiu que o serviço está funcionando.

Investigação

A Polícia Civil de São Paulo confirmou à Band que instaurou um inquérito para investigar a ONG Instituto Conhecer Brasil. O objetivo é apurar supostas irregularidades em um contrato com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de 5.000 pontos de wi-fi gratuito na periferia, pelo prazo de 12 meses. O valor do contrato é de R$ 108 milhões.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o caso é investigado pela 2ª Delegacia da Divisão de Crimes contra a Administração do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC). O pedido foi feito pelo Ministério Público de São Paulo.

“A investigação apura os crimes de frustração do caráter competitivo de procedimento licitatório, fraude na execução de contrato administrativo e emprego irregular de verbas ou rendas públicas envolvendo a Prefeitura de São Paulo. Diligências estão sendo adotadas para o total esclarecimento dos fatos”, diz a SSP em nota.