
Lula
Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu, segundo aliados, voltar a subir o tom contra o presidente americano Donald Trump e transformar a política externa novamente em um dos principais temas da disputa eleitoral de 2026. A estratégia, adotada durante viagem recente à Europa, busca reposicionar o debate político no Brasil sob uma lógica de confronto entre soberania nacional e influência estrangeira.
Nos bastidores, aliados admitem que o movimento tem endereço certo: conter o avanço do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas e reativar a polarização com o bolsonarismo. A ideia é associar adversários a um suposto alinhamento automático com os Estados Unidos, enquanto Lula tenta se apresentar como o líder que “não se curva” a potências externas.
O discurso endurecido não ficou apenas na retórica diplomática. Em declarações públicas, Lula ironizou Trump ao sugerir que ele deveria ganhar o Prêmio Nobel da Paz “para não ter mais guerra” e criticou decisões da Casa Branca, classificando episódios recentes como “ingerência” e “abuso de autoridade”.
Durante um evento nesta quinta-feira (23), o presidente brasileiro também recorreu a ironia e ofereceu jabuticaba para “acalmar” Trump.
O Brasil também retirou as credenciais de um agente americano que trabalhava no país, o movimento aconteceu depois que os Estados Unidos retiraram a autorização do delegado da PF, Marcelo Ivo, de trabalhar junto ao governo americano.
A escalada verbal ocorre em um contexto de distanciamento entre os dois governos. Um encontro entre Lula e Trump chegou a ser cogitado, mas não se concretizou, abrindo espaço para que o Planalto explore politicamente o contraste entre os dois líderes.
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