
Lula e Javier Milei
REUTERS/Ueslei Marcelino/Agustin Marcarian
O presidente da Argentina, Javier Milei, acionou sua metralhadora giratória de palavras e redobrou os ataques ao presidente Lula. As declarações foram feitas em entrevista ao grupo de mídia do país La Nación.
"Ele é um ladrão, um corrupto. Não é inocente. Foi liberado por uma falha no processo jurídico", afirmou Milei.
Javier Milei acusou o presidente do Brasil de ter interferido nas eleições argentinas e que Lula orquestrou a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente argentino argumentou que quem interfere na política da América do Sul não é ele, mas sim Lula, “com ideias imundas do socialismo”.
Ele também disse que não retira o que disse na convenção do PL, em São Paulo, que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Este é mais um episódio que agrava a crise Brasil-Argentina, justamente no momento em que a diplomacia está atuando para que os dois países, ambos importantes parceiros comerciais históricos, voltem a se entender. Brasil e Argentina integram o Mercosul, a principal aposta na região para negociar com outros blocos econômicos internacionais.
Depois dos ataques de Milei na convenção do PL, o governo brasileiro convocou seu embaixador na Argentina, Júlio Bitelli, em um sinal sério que, na diplomacia, significa que as relações entre os países enfrentam dificuldades. O Brasil até cogitou que o embaixador permanecesse fora da Argentina, mas, com as tensões diplomáticas que pareciam estar mais calmas, Júlio Bitelli já estava pronto para voltar a Buenos Aires. Agora é aguardada a reação do governo brasileiro.
Você pode ter divergências ideológicas e não concordar com o outro, mas tratar o presidente de outro país dessa forma é falta de respeito e não cabe nas relações entre países. Ainda mais entre Brasil e Argentina.
Mas o novo perfil da política externa da Casa Rosada é este agora: reserva elogios a líderes com visões compatíveis, como o presidente norte-americano Donald Trump e o premiê israelense Benjamin Netanyahu, e mantém confronto público e contínuo com presidentes de esquerda e centro-esquerda.
Neste fim de semana, Milei não poupou críticas ao premiê espanhol Pedro Sánchez e aproveitou a crise migratória em Ceuta para acusar Sánchez de facilitar a imigração, legalizar a situação dos estrangeiros na Espanha a fim de obter votos deles e manter o socialismo no país.
O problema é que a lógica baseada na ideologia deixa em segundo plano cooperações bilaterais, intercâmbio comercial, blocos econômicos, apostando no unilateralismo.
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