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Nunes vê 'perseguição política' em operação ligada a filme sobre Bolsonaro

Polícia Civil apura fraude em licitação de R$ 108 milhões da Prefeitura, vencida por ONG ligada à produtora de "Dark Horse"; gestão nega irregularidades

Da redação
DA REDAÇÃO

01/06/2026 • 17:25 • Atualizado em 01/06/2026 • 17:25

Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo

Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo

Renato Pizzutto/Band

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou nesta segunda-feira (1) que a Operação WI-FI, deflagrada pela Polícia Civil, pode configurar "perseguição política" caso a investigação tenha relação com a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

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A ação apura suspeitas de fraude em uma licitação de R$ 108 milhões da Prefeitura, vencida pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligada à empresária Karina Ferreira da Gama, sócia da Go UP Entertainment Ltd, produtora do longa "Dark Horse", sobre a trajetória política do ex-presidente.

Uma das hipóteses apuradas pelo Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) é a de que parte dos recursos do contrato investigado possa ter sido destinada à Go UP durante a produção do filme.

"Se a motivação é por conta do filme, então estão indo atrás de um contrato com a prefeitura de 2024 por causa do filme? Aí é grave. Aí é perseguição política", disse o prefeito. "Não merece ninguém ser crucificado porque tem uma preferência política A ou B", acrescentou.

A Operação WI-FI cumpriu mandados em oito endereços. Entre eles, a sede da ONG, a da Go UP, dois imóveis residenciais de Karina e a sede da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia.

O foco da investigação é um contrato firmado entre o ICB e a pasta de Inovação para implantação e manutenção de 5 mil pontos públicos de Wi-Fi na periferia de São Paulo. Segundo a apuração, aditivos elevaram para R$ 157,1 milhões os repasses para a ONG, e pelo menos R$ 26 milhões teriam sido pagos "sem a efetiva prestação do serviço". A polícia investiga fraude na licitação, fraude na execução do contrato e possível desvio de recursos públicos.

A Polícia Civil aponta indícios de direcionamento no chamamento público, vencido apenas pelo ICB – entidade sem experiência prévia em telecomunicações e com atuação concentrada em feiras e eventos literários e religiosos. O Tribunal de Contas do Município (TCM) identificou 20 irregularidades no edital e recomendou a suspensão do contrato, mas a Prefeitura manteve a contratação.

Há ainda indícios de sobrepreço. O ICB estipulou custo mensal de R$ 1,8 mil por ponto de Wi-Fi, e apenas 3,2 mil dos pontos previstos foram efetivamente executados, apesar de sucessivos aditivos que ampliaram o contrato em R$ 49,1 milhões.

Relatório enviado à polícia pelo Ministério Público indica pagamentos antecipados de R$ 26 milhões sem comprovação dos serviços, enquanto a Prefeitura já desembolsou R$ 83 milhões ao instituto e reservou outros R$ 53 milhões no orçamento deste ano.

Nunes afirmou que a gestão municipal "não identificou nada de errado" no contrato e que a Prefeitura "atendeu todos os critérios que a gente tem de economicidade". Sobre Karina, com quem disse não ter contato, o prefeito a definiu como "uma pessoa decente, uma mulher trabalhadora" que "conhece o Bolsonaro".

Em nota, a Prefeitura informou que colabora com as investigações e que todo o material requisitado já havia sido disponibilizado às autoridades. A administração afirmou que o programa funciona normalmente — dos 3,2 mil pontos contratados, apenas 52 estavam off-line na manhã desta segunda — e que repudia "ilações de desvios de recursos públicos".

A gestão destacou que o chamamento público ocorreu em 2024, "quando não havia sequer produção do filme mencionado", e que o custo estimado para 2026, de R$ 1.280,80 por ponto/mês, é inferior às propostas recebidas em 2022.

Com Estadão Conteúdo