
André do Prado, presidente da Alesp
Reprodução/Facebook/André do Prado
O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado, foi o escolhido pelo PL para disputar a vaga ao Senado pelo estado. A definição do nome do parlamentar foi feita durante viagem aos Estados Unidos do político e de Valdemar Costa Neto, presidente do partido, onde se encontraram com Eduardo Bolsonaro.
Ele já era o preferido do presidente do PL Nacional e precisava do aval de Eduardo Bolsonaro. A articulação começou a ser feita nos Estados Unidos no fim de abril e concluída no início deste mês.
A escolha de André do Prado alerta para dois pontos importantes: a saída de Eduardo Bolsonaro da disputa, após permanência fora do país, não eliminou a influência no poder de escolha; e a preferência de Jair Bolsonaro pelo vice-prefeito de São Paulo, Coronel Mello Araújo, para a vaga ao Senado não prevaleceu.
Entenda o motivo da escolha
- Construção estratégica:
Nos bastidores, a avaliação é de que a direita paulista tende a priorizar candidaturas com capacidade real de vitória, o que envolve alinhamento político, estrutura e viabilidade eleitoral.
Nesse cenário, o nome de André do Prado aparece como parte de uma construção mais ampla, baseada menos em improviso e mais em planejamento de longo prazo.
- Estrutura como fator decisivo:
São Paulo possui 645 municípios, e uma eleição majoritária nesse cenário depende de presença territorial organizada. Analistas políticos apontam que campanhas com forte base municipal tendem a ter maior capacidade de mobilização, especialmente na fase final, quando o voto se consolida.
Nesse sentido, a atuação de André do Prado é frequentemente associada a um perfil de bastidor, menos voltado à exposição constante e mais focado na articulação política.
A trajetória de Prado também influencia. Com passagem pela prefeitura de Guararema e sucessivos mandatos no Legislativo paulista, ele fica posicionado no centro das decisões políticas do estado, com trânsito consolidado entre diferentes esferas de poder.
- Baixa rejeição e espaço de crescimento:
Com menor exposição em comparação a figuras mais midiáticas, André do Prado apresenta um perfil com menor índice de rejeição, fator que, segundo especialistas, pode ampliar seu potencial de crescimento ao longo da campanha.
Além disso, sua relação com segmentos organizados, como lideranças evangélicas e bases municipais, contribui para a formação de um eleitorado mais estruturado.
- O peso do segundo voto:
Outro fator que pode influenciar o cenário de 2026 é o modelo da eleição para o Senado, que permite ao eleitor votar em dois candidatos. Historicamente, o chamado segundo voto tem comportamento mais estratégico do que emocional.
Dados de pesquisas recentes indicam que candidatos com menor rejeição e maior aceitação transversal tendem a crescer nesse espaço, especialmente quando há estrutura organizada para captação desse eleitor.
Segundo análise do estrategista político Davi Morgado, diferentemente de candidaturas impulsionadas exclusivamente por visibilidade ou engajamento digital, a possível construção em torno de André do Prado parte de um ativo menos perceptível ao grande público, a base municipal consolidada.
Atualmente presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Prado construiu, ao longo dos anos, relações diretas com prefeitos, vereadores e lideranças regionais. Esse tipo de articulação, embora raramente captado em pesquisas iniciais, costuma ter peso decisivo na reta final das disputas eleitorais.
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