A proposta que visa extinguir a escala de trabalho 6x1 tem gerado debates intensos e preocupação no setor de transportes brasileiro. Levantamento recente mostra que a mudança poderá gerar um custo adicional de R$ 12 bilhões para o setor, refletindo no custo de operação e no preço final de produtos e serviços para o consumidor.
As transportadoras de cargas operam ininterruptamente, 24 horas por dia, sete dias por semana. Para manter esse nível de serviço com uma jornada reduzida, estima-se a necessidade de contratar cerca de 240 mil novos trabalhadores, abrangendo tanto o transporte de produtos quanto a condução de passageiros. Esse incremento no quadro de funcionários representaria um aumento de quase 10% nos gastos com pessoal.
Especialistas alertam que a perda de produtividade dos veículos e a oneração da operação fatalmente chegarão ao bolso da população. O aumento de custos tende a ser repassado para itens básicos de consumo em supermercados e feiras.
Mobilidade urbana e qualidade de vida
Enquanto a proposta de redução de escala aguarda votação no Senado --sem previsão de avançar antes do período eleitoral--, analistas sugerem caminhos alternativos para melhorar o bem-estar do trabalhador. O investimento em mobilidade urbana é apontado como um fator crucial.
Um estudo realizado após a implantação do metrô na Bahia revelou que a eficiência no transporte liberou até 18 dias de tempo livre por ano para cada trabalhador, dependendo do deslocamento.
Atualmente, moradores de dez capitais brasileiras gastam, em média, duas horas diárias no trânsito e no transporte público. Para muitos trabalhadores, o cansaço acumulado deve-se mais ao tempo perdido na condução --que chega a superar 1 hora e 40 minutos por trajeto-- do que propriamente às horas trabalhadas.
Dessa forma, o debate se divide entre a alteração direta na lei trabalhista e a necessidade de investimentos estruturais em transporte público que possam entregar, simultaneamente, desenvolvimento econômico, maior produtividade e qualidade de vida.
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