STF dá 20 dias para PGR se manifestar sobre revisão criminal de Bolsonaro
Em 8 de maio, a defesa do ex-presidente protocolou, no STF, um pedido de revisão criminal para anular a condenação de 27 anos e três meses. Relator é o ministro Nunes Marques

O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu um prazo de 20 dias para a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar sobre a revisão da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na trama golpista.
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Em 8 de maio, a defesa do ex-presidente protocolou, no STF, um pedido de revisão criminal para anular a condenação. Jair Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma da Corte a 27 anos e três meses de prisão.
“Diante da complexidade do feito, que envolve o julgamento de ex-presidente da República, entendo necessário estender o prazo previsto para manifestação do Ministério Público Federal. Dê-se vista dos autos ao Procurador-Geral da República, para apresentação de parecer, no prazo de 20 (vinte) dias”, escreveu Nunes Marques na manifestação.
Jair Bolsonaro foi condenado por cinco crimes: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado. O ex-presidente cumpre prisão domiciliar por razões de saúde.
Entenda o pedido de revisão
Os advogados alegam, no documento protocolado no Supremo, que a condenação deve ser revista porque houve “erro judiciário”.
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“O que esta revisão criminal demonstrou, assim, foi um quadro de erro judiciário em sua acepção mais grave, precisamente aquela que legitima a atuação rescindente desta Suprema Corte”, afirmaram os advogados.
Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma da Corte, formada pelos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.
Conforme determina o regimento interno do Supremo, a revisão criminal deverá ser julgada pela Segunda Turma, composta por André Mendonça e Nunes Marques, ambos indicados por Bolsonaro, além de Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Luiz Fux.
Recurso de Bolsonaro apresentado ao STF
A defesa contestou a tramitação do processo que condenou Bolsonaro. Para os advogados, por estar na condição de ex-presidente, Bolsonaro deveria ter sido julgado pelo plenário da Corte, e não pela Primeira Turma.
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Os advogados também afirmaram que a delação do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro Mauro Cid não foi voluntária e deve ser anulada. A falta de acesso integral às provas da investigação também foi suscitada.
No mérito, a defesa afirma que não foram indicadas provas da participação de Bolsonaro nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e na liderança de um plano para planejar um golpe de Estado.
“É incontroverso nos autos que não há nenhuma ordem ou orientação do ex-presidente em relação ao 8 de janeiro”, afirmaram os advogados.
