Por onde anda Juan Guaidó, venezuelano citado em carta de Flávio Bolsonaro
Sete anos após se autoproclamar presidente interino da Venezuela sob aplausos de dezenas de nações democráticas, Juan Guaidó vive longe das multidões e dos

Reprodução/Instagram
Sete anos após se autoproclamar presidente interino da Venezuela sob aplausos de dezenas de nações democráticas, Juan Guaidó vive longe das multidões e dos holofotes internacionais, sediado no sul da Flórida, nos Estados Unidos. O opositor venezuelano atua como diretor do Democracy Innovation Lab, ligado à Universidade Internacional da Flórida (FIU), dedicando-se a palestras e discussões sobre a democracia na América Latina.
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Sua transição para a vida acadêmica ocorreu após o desmonte gradual de seu suporte político. Em dezembro de 2022, a própria oposição venezuelana votou pelo fim do "governo interino". Sem o controle de instituições reais no país e sob forte pressão do regime de Nicolás Maduro, Guaidó deixou a Venezuela em abril de 2023.
Mesmo após a drástica mudança na política venezuelana com a prisão de Maduro em janeiro deste ano, Guaidó permaneceu em solo americano, integrando a numerosa diáspora oposicionista. Em sua página no Instagram, ele ainda se identifica como "servidor público em resistência contra a ditadura" e presidente interino de 20219 a 2022.
Guaidó x Flávio Bolsonaro
A figura de Guaidó voltou com força ao debate público brasileiro após o desembarque do senador Flávio Bolsonaro (PL) nos EUA. Derrotado nas urnas nas eleições presidenciais brasileiras, o senador divulgou um manifesto em que se autodeclarou o "verdadeiro presidente eleito", contestou a legitimidade do pleito e anunciou a intenção de liderar a oposição ao governo brasileiro diretamente do território norte-americano.
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No texto, Flávio cita explicitamente Juan Guaidó e outras figuras políticas no exílio para argumentar que a atuação oposicionista fora das fronteiras nacionais tem precedentes históricos legítimos diante do que classifica como perseguição jurídica no Brasil.
Guaidó se declarou presidente interino após contestar a eleição venezuelana de 2018. Ele presidia a Assembleia Nacional em janeiro de 2019 quando se autoproclamou presidente se basendo no artigo 233 da Constituição do país após o Legislativo declarar vago o cargo do Executivo, por considerar ilegítima e fraudulenta a reeleição de Nicolás Maduro.
Com isso, Guaidó assumiu a chefia de Estado interina com o objetivo declarado de convocar novas eleições presidenciais livres e recebeu o reconhecimento diplomático de cerca de 60 países ao redor do mundo, inclusive do Brasil e dos Estados Unidos.
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Após anos nessa posição de líder da oposição, o "governo interino" terminou em 2022 por decisão da própria coalizão anti-Maduro, motivada pelo desgaste e pela preparação para as eleições primárias oposicionistas. Sem a blindagem política e sob o risco iminente de prisão na Venezuela, Guaidó deixou o país em abril de 2023, estabelecendo-se nos Estados Unidos.
Em uma publicação de junho em suas redes sociais, Guaidó fez uma reflexão no Dia dos Pais, onde afirmou que "sempre responde que está "vivo e livre" quando lhe questionam. "depois de ter enfrentado uma ditadura, perseguição, ameaças, exílio e distância da família estar vivo e livre é quase um privilégio. E aprendi a valorizar e agradecer todos os dias."
