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Alta da energia pressiona empresas e deve deixar custos mais caros

Especialista aponta que guerra no Oriente Médio e demanda crescente elevam preços e dificultam planejamento econômico

Por Redação
REDAÇÃO

31/03/2026 • 10:43 • Atualizado em 31/03/2026 • 10:43

Luz

Luz

Marcelo Camargo/Agência Brasil

A escalada dos preços da energia, intensificada pela guerra no Oriente Médio, já impacta diretamente empresas e consumidores — e a tendência é de que os custos permaneçam elevados. A avaliação é do advogado Emanuel Pessoa, colunista do Jornal Gente.

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Segundo ele, aumentos de preços no Brasil raramente retornam aos patamares anteriores, o que traz insegurança para o planejamento de negócios. O cenário atual combina fatores estruturais e conjunturais, como o crescimento do consumo energético — impulsionado, por exemplo, por data centers — e a instabilidade geopolítica.

Um dos principais vetores de pressão é o petróleo. A cotação do barril do Brent saltou de cerca de US$ 60 para mais de US$ 100 após o início do conflito envolvendo o Irã, elevando custos de combustíveis, como gasolina, diesel e querosene de aviação. No caso brasileiro, o impacto é ainda mais sensível.

De acordo com Pessoa, o Brasil tem um dos combustíveis mais caros do mundo quando se considera a renda da população. O querosene de aviação, por exemplo, está entre os mais caros do planeta, influenciado pela política de preços da Petrobras, que acompanha referências internacionais mesmo na produção interna.

O especialista também destaca que decisões governamentais influenciam diretamente esse cenário. Segundo ele, há um equilíbrio delicado entre controle de preços, arrecadação e responsabilidade fiscal, especialmente em períodos eleitorais, o que pode limitar intervenções mais agressivas nos preços dos combustíveis.

No cenário internacional, países como Rússia e China acabam se beneficiando parcialmente da alta do petróleo. A Rússia amplia sua receita com exportações de energia, enquanto a China ganha competitividade relativa e fortalece sua liderança em energias renováveis.

Já a União Europeia enfrenta dificuldades por decisões estratégicas passadas, como o aumento da dependência energética externa, o que a torna mais vulnerável em momentos de crise.

Para o Brasil, os efeitos vão além dos combustíveis. O encarecimento da energia impacta cadeias produtivas inteiras, incluindo o agronegócio, com aumento no custo de fertilizantes e transporte. Esse cenário reforça a pressão inflacionária e pode afetar o crescimento econômico.

Apesar disso, a crise também acelera tendências estruturais, como a transição energética. O Brasil se destaca no uso de biocombustíveis, como etanol e biodiesel, o que pode representar uma vantagem competitiva no médio e longo prazo.

Ainda assim, no curto prazo, a combinação de guerra, energia cara e incertezas globais indica um ambiente desafiador — e com pouca perspectiva de alívio imediato nos preços.