
Caneta emagrecedora
Pexels
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso de canetas emagrecedoras para adolescentes no Brasil, ampliando uma indicação que até então era restrita a adultos. A decisão permite a utilização do medicamento à base de tirzepatida em pacientes com idades entre 10 e 17 anos, desde que haja recomendação médica e acompanhamento especializado.
O fármaco, conhecido comercialmente como Mounjaro, foi inicialmente desenvolvido para o tratamento do diabetes tipo 2. No entanto, seu efeito na redução de peso levou à ampliação do uso também no combate à obesidade. A aprovação leva em conta estudos clínicos que demonstraram melhora no controle glicêmico e perda de peso significativa em jovens após cerca de 30 semanas de tratamento.
A medida ocorre em um cenário de crescimento preocupante de obesidade e diabetes tipo 2 entre crianças e adolescentes. Dados indicam que o Brasil está entre os países com maior incidência da doença nessa faixa etária, enquanto a obesidade atinge uma parcela expressiva da população jovem. Especialistas apontam que fatores como alimentação inadequada e dificuldades socioeconômicas contribuem para esse quadro.
Na avaliação de médicos, o uso desses medicamentos já vinha sendo discutido na comunidade científica, especialmente em casos mais graves. Há consenso de que a prescrição pode ser considerada, principalmente a partir dos 12 anos, embora protocolos específicos possam incluir pacientes mais jovens, a partir dos 10 anos.
Apesar dos benefícios potenciais, especialistas fazem alertas sobre o uso indiscriminado. O tratamento deve ser restrito a casos específicos e não pode substituir mudanças no estilo de vida. A automedicação é fortemente desaconselhada, especialmente em uma fase em que o organismo ainda está em desenvolvimento.
Médicos destacam que o acompanhamento contínuo é essencial para garantir a segurança e a eficácia do tratamento. Além disso, a reeducação alimentar e a adoção de hábitos saudáveis continuam sendo pilares fundamentais no controle do peso e na prevenção de doenças.
A expectativa é que, com o tempo, o acesso a esse tipo de tratamento possa ser ampliado, inclusive por meio do sistema público de saúde. Ainda assim, o consenso entre especialistas é de que a medicação deve ser utilizada com cautela, como parte de uma estratégia mais ampla de cuidado com a saúde de crianças e adolescentes.
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:


