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Áudios vazados mostram Flávio Bolsonaro cobrando dinheiro de Vorcaro

Em mensagens, senador pressiona o então dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, por verbas para produção sobre Jair Bolsonaro e teme "calote" em atores internacionais.

Por Redação
REDAÇÃO

14/05/2026 • 08:42 • Atualizado em 14/05/2026 • 23:22

Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência

Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência

Adriano Machado/Reuters

A divulgação de áudios e mensagens de texto revelou uma cobrança direta feita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master e figura central em escândalos recentes no mercado financeiro. O motivo da pressão era a obtenção de recursos para financiar "Dark Horse", um filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, previsto para ser lançado próximo às eleições de outubro. A reportagem, publicada pelo The Intercept Brasil, expõe a proximidade entre o senador e o banqueiro e a dependência do dinheiro para a continuidade do projeto.

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A veracidade das mensagens foi confirmada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em apuração do Grupo Bandeirantes. Nos áudios, Flávio Bolsonaro demonstra constrangimento, mas insiste na cobrança. "Apesar de você ter dado a liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá? Mas, enfim, é porque tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso", diz o senador em um dos trechos.

Em outra mensagem, Flávio condiciona a sobrevivência do filme ao recebimento dos valores e alerta para as consequências negativas de um possível calote. "Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, no Cyrus, os caras renomadíssimos lá no cinema americano, mundial. Podia ser muito ruim. Todo efeito positivo que a gente tem certeza que vai vir com esse filme, pode ter efeito elevado a menos um", afirma, pedindo uma posição a Vorcaro. "A gente perde tudo, tudo, contrato, perde ator, perde diretor, perde equipe, perde tudo".

As mensagens também revelam um tratamento íntimo, com Flávio Bolsonaro chamando o banqueiro de "irmão" e garantindo que "sempre estaria com ele" em uma mensagem enviada um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez ao tentar sair do Brasil.

Inicialmente, ao ser questionado por jornalistas, Flávio Bolsonaro negou qualquer relação com Vorcaro. No entanto, com a forte repercussão da matéria, o senador publicou uma nota e um vídeo para se defender. Ele negou qualquer irregularidade, afirmando que sua ação foi a de "um filho buscando patrocínio privado para a produção de um filme sobre o pai, sem financiamento público".

Em sua defesa, o senador declarou: "Eu conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, não tinha mais governo Bolsonaro, não tinha absolutamente nenhuma acusação contra ele. Acontece que com o passar do tempo ele simplesmente parou de honrar com as parcelas do contrato". Segundo Flávio, sem esses pagamentos, havia uma grande chance de o filme sequer ser concluído, o que motivou suas cobranças.

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