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Bombardeios de Israel no Líbano deixam mais de 100 mortos e ampliam tensão

Ofensiva ocorre mesmo após anúncio de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã e expõe fragilidade do acordo

Por Redação
REDAÇÃO

08/04/2026 • 15:01 • Atualizado em 08/04/2026 • 15:01

Bombardeios no Líbano

Bombardeios no Líbano

Reuters

A escalada do conflito no Oriente Médio ganhou novos contornos após uma série de bombardeios realizados por Israel no território do Líbano, que deixaram ao menos 112 mortos desde a madrugada. Trata-se do ataque mais intenso desde o início da participação libanesa no confronto, em março deste ano.

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As ofensivas ocorreram mesmo após o anúncio de um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, o que aumentou a preocupação internacional sobre a fragilidade do acordo. Israel afirmou que o entendimento não inclui o Líbano, mantendo, assim, as operações militares contra alvos no país vizinho.

Segundo autoridades israelenses, os ataques têm como objetivo atingir posições do Hezbollah, grupo xiita apoiado pelo Irã. O conflito se intensificou após ações do grupo contra o território israelense, em resposta a eventos envolvendo lideranças iranianas. Desde então, bombardeios têm sido realizados de forma recorrente.

Na ofensiva mais recente, foram registrados cerca de 100 ataques aéreos em apenas 10 minutos, atingindo principalmente o sul do Líbano, mas também áreas da capital, Beirute. Imagens divulgadas mostram destruição de prédios e veículos, além de um número elevado de feridos.

Além dos ataques aéreos, Israel também ampliou sua presença militar terrestre na região sul do Líbano, próxima à fronteira. A estratégia, segundo o governo israelense, é criar uma zona de segurança para conter ameaças vindas do Hezbollah.

O cenário contrasta com as expectativas geradas pelo anúncio de trégua entre Estados Unidos e Irã, que previa a suspensão temporária de ataques diretos entre os dois países por um período inicial de duas semanas. A iniciativa, inclusive, abriu espaço para possíveis negociações de paz, com países como o Paquistão se oferecendo para sediar reuniões diplomáticas.

No entanto, a exclusão do Líbano desse acordo evidencia os limites do entendimento e mantém a região em estado de tensão. O Hezbollah afirmou que poderia suspender ataques contra Israel, mas condicionou a decisão ao fim das ofensivas israelenses em território libanês.

O governo do Líbano, por sua vez, pediu o fim dos bombardeios e solicitou inclusão nas negociações internacionais, o que ainda não ocorreu.

Outro reflexo imediato do agravamento do conflito foi a instabilidade no mercado de energia. O Estreito de Hormuz, responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo, chegou a ser reaberto temporariamente após o anúncio da trégua, mas voltou a ser fechado pelo Irã diante da continuidade das hostilidades.

A cotação do petróleo, que chegou a ultrapassar os 100 dólares recentemente, segue em patamar elevado, ainda acima dos níveis considerados normais antes do início da crise, o que gera impacto direto na economia global.

Com menos de 24 horas do anúncio do cessar-fogo, os desdobramentos indicam um cenário ainda incerto, com risco de novos confrontos e dificuldades para a consolidação de um acordo duradouro na região.