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O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o governo brasileiro continuará priorizando a negociação com os Estados Unidos antes de recorrer à aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica em resposta ao aumento das tarifas impostas por Washington sobre produtos brasileiros.
Durante entrevista ao Jornal Gente, em transmissão especial da Rádio Bandeirantes em Brasília, o ministro explicou que o instrumento aprovado pelo Congresso Nacional está disponível, mas que sua utilização dependerá de uma avaliação técnica sobre os efeitos para a economia brasileira.
Segundo Márcio Elias Rosa, a legislação permite que o Brasil responda a medidas comerciais unilaterais adotadas por outros países.
No entanto, ele ressaltou que qualquer reação precisa ser planejada para evitar prejuízos internos.
"O instrumento da reciprocidade está à nossa disposição. O Brasil vai utilizá-lo quando for adequado e necessário", afirmou.
Governo diz que reciprocidade exige análise técnica
De acordo com o ministro, antes de adotar qualquer medida, o governo precisa dimensionar qual resposta produziria efeitos proporcionais e evitar que uma eventual ação cause mais prejuízos ao Brasil do que ao país que aplicou as tarifas.
Na avaliação dele, a reciprocidade difere de retaliação ou vingança comercial e deve ser utilizada apenas quando contribuir para fortalecer a posição brasileira nas negociações internacionais.
Brasil afirma ter negociado todos os pontos apresentados pelos Estados Unidos
Durante a entrevista, Márcio Elias Rosa contestou a avaliação de que o governo brasileiro deixou de negociar os questionamentos apresentados pelos Estados Unidos na investigação comercial que antecedeu o tarifaço.
Segundo ele, foram realizadas mais de 30 reuniões para discutir os temas levantados pelas autoridades americanas, entre eles o sistema de pagamentos Pix, questões ambientais, combate à pirataria, acordos comerciais e outros aspectos da relação bilateral.
O ministro afirmou que parte das justificativas apresentadas pelo governo norte-americano não corresponde à realidade brasileira, o que, segundo ele, dificultou o avanço das negociações.
Diversificação de mercados é estratégia para reduzir impactos
Márcio Elias Rosa destacou que o governo trabalha para ampliar a presença dos produtos brasileiros em novos mercados internacionais como forma de reduzir a dependência das exportações destinadas aos Estados Unidos.
Segundo ele, o Brasil ampliou em cerca de 40% as exportações para dezenas de novos destinos no primeiro semestre, consolidando uma estratégia de diversificação comercial.
O ministro também citou o avanço das relações comerciais com a União Europeia após a conclusão das negociações envolvendo o acordo entre Mercosul e bloco europeu.
Governo defende manutenção do diálogo com Washington
Apesar da entrada em vigor das tarifas, Márcio Elias Rosa afirmou que o governo brasileiro pretende manter abertas as negociações com os Estados Unidos.
Na avaliação do ministro, a relação comercial entre os dois países permanece estratégica para ambos os lados e não deve ser interrompida em razão das divergências atuais.
Ele também argumentou que as tarifas possuem caráter mais político do que comercial e avaliou que um entendimento continua sendo o melhor caminho para restabelecer as relações econômicas.
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