
Lula
Marcelo Camargo/Agência Brasil
O governo brasileiro tem até o dia 15 de julho para tentar evitar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações nacionais para os Estados Unidos. A medida foi proposta pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos e atinge setores específicos da economia brasileira.
Apesar da ameaça de sobretaxação, a avaliação do governo federal é de que não há motivos para uma retaliação comercial neste momento. A estratégia adotada é negociar diretamente com Washington e apresentar argumentos econômicos para reverter ou reduzir as tarifas antes do fim do prazo.
PIX é principal ponto de divergência
Entre os temas levantados pelos Estados Unidos está o PIX, citado 20 vezes no relatório da investigação comercial americana. Na avaliação de Washington, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos poderia favorecer empresas nacionais em detrimento de operadoras estrangeiras do setor financeiro.
O governo brasileiro considera que os americanos não compreenderam o funcionamento da ferramenta e descarta qualquer negociação envolvendo o PIX. A equipe econômica afirma que o sistema é uma inovação bancária consolidada e não será objeto de concessões durante as tratativas.
Além do PIX, os Estados Unidos apontam preocupações relacionadas ao combate à corrupção, à falsificação de produtos, ao desmatamento ilegal e a políticas tarifárias consideradas desequilibradas.
Setores podem ser afetados
Caso a tarifa adicional entre em vigor, segmentos como calçados, vestuário, autopeças, madeira processada e móveis poderão ser impactados.
Por outro lado, alguns dos principais produtos exportados pelo Brasil ficariam fora da medida. Estão nessa lista carne bovina, café, frutas tropicais, petróleo e componentes da indústria aeronáutica.
O governo também pretende destacar a importância de produtos brasileiros para o mercado americano, como etanol, suco de laranja, café solúvel, bebidas à base de frutas e derivados de açúcar.
Negociação e cenário político
O vice-presidente Geraldo Alckmin reuniu ministros e representantes diplomáticos para discutir a resposta brasileira. A expectativa do Palácio do Planalto é que as negociações avancem nas próximas semanas.
Outro argumento que deverá ser levado à mesa é a relevância das reservas brasileiras de terras raras, minerais estratégicos para setores como aeronáutica, indústria espacial e produção de baterias.
A proposta americana surgiu em meio ao aumento das tensões políticas entre os dois países. Nos bastidores, integrantes do governo brasileiro avaliam que a decisão possui forte componente político.
As negociações seguem até julho, prazo considerado decisivo para definir se o tarifaço será mantido, reduzido ou suspenso.
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