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Brasil tem até julho para evitar tarifaço de 25% dos EUA

Governo aposta em negociação com Washington e descarta discutir o PIX durante tratativas para evitar sobretaxas sobre exportações brasileiras.

Da redação
DA REDAÇÃO

03/06/2026 • 09:09 • Atualizado em 03/06/2026 • 09:09

Lula

Lula

Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo brasileiro tem até o dia 15 de julho para tentar evitar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações nacionais para os Estados Unidos. A medida foi proposta pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos e atinge setores específicos da economia brasileira.

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Apesar da ameaça de sobretaxação, a avaliação do governo federal é de que não há motivos para uma retaliação comercial neste momento. A estratégia adotada é negociar diretamente com Washington e apresentar argumentos econômicos para reverter ou reduzir as tarifas antes do fim do prazo.

PIX é principal ponto de divergência

Entre os temas levantados pelos Estados Unidos está o PIX, citado 20 vezes no relatório da investigação comercial americana. Na avaliação de Washington, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos poderia favorecer empresas nacionais em detrimento de operadoras estrangeiras do setor financeiro.

O governo brasileiro considera que os americanos não compreenderam o funcionamento da ferramenta e descarta qualquer negociação envolvendo o PIX. A equipe econômica afirma que o sistema é uma inovação bancária consolidada e não será objeto de concessões durante as tratativas.

Além do PIX, os Estados Unidos apontam preocupações relacionadas ao combate à corrupção, à falsificação de produtos, ao desmatamento ilegal e a políticas tarifárias consideradas desequilibradas.

Setores podem ser afetados

Caso a tarifa adicional entre em vigor, segmentos como calçados, vestuário, autopeças, madeira processada e móveis poderão ser impactados.

Por outro lado, alguns dos principais produtos exportados pelo Brasil ficariam fora da medida. Estão nessa lista carne bovina, café, frutas tropicais, petróleo e componentes da indústria aeronáutica.

O governo também pretende destacar a importância de produtos brasileiros para o mercado americano, como etanol, suco de laranja, café solúvel, bebidas à base de frutas e derivados de açúcar.

Negociação e cenário político

O vice-presidente Geraldo Alckmin reuniu ministros e representantes diplomáticos para discutir a resposta brasileira. A expectativa do Palácio do Planalto é que as negociações avancem nas próximas semanas.

Outro argumento que deverá ser levado à mesa é a relevância das reservas brasileiras de terras raras, minerais estratégicos para setores como aeronáutica, indústria espacial e produção de baterias.

A proposta americana surgiu em meio ao aumento das tensões políticas entre os dois países. Nos bastidores, integrantes do governo brasileiro avaliam que a decisão possui forte componente político.

As negociações seguem até julho, prazo considerado decisivo para definir se o tarifaço será mantido, reduzido ou suspenso.

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