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Calor extremo ameaça produção de alimentos e pressiona preços no mundo

Relatório da ONU aponta queda de produtividade no campo e riscos crescentes para segurança alimentar global.

Por Redação
REDAÇÃO

22/04/2026 • 14:44 • Atualizado em 22/04/2026 • 14:44

Agricultura

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O avanço das temperaturas globais já provoca efeitos diretos na produção de alimentos e acende um alerta para a segurança alimentar no mundo. Um relatório divulgado nesta quarta-feira por organismos internacionais ligados à ONU indica que o calor extremo tem comprometido tanto a agricultura quanto a pecuária, com impactos já perceptíveis nos preços e na oferta de produtos.

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O estudo, elaborado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) em parceria com a Organização Meteorológica Mundial, aponta que a produtividade da maioria das culturas agrícolas começa a cair quando os termômetros ultrapassam os 30 °C. Nessa faixa, as células das plantas se tornam mais frágeis, prejudicando o crescimento, o tamanho e a qualidade dos alimentos produzidos.

Os efeitos não se limitam às lavouras. Na pecuária, o calor intenso também provoca perdas relevantes. O relatório destaca que a mortalidade de bovinos pode chegar a até 24% em situações extremas. Além disso, estima-se que o aumento das temperaturas já seja responsável por uma redução anual de cerca de 1% na produção global de leite.

O impacto climático também atinge diretamente os trabalhadores do campo. Em regiões da América do Sul, sul da Ásia e África Subsaariana, cerca de 250 dias por ano já são considerados excessivamente quentes para atividades ao ar livre, o que reduz a produtividade e eleva riscos à saúde.

No Brasil, os reflexos são evidentes. Dados recentes indicam que a cidade de São Paulo registrou, em 2025, 82 dias com temperaturas acima dos 30 °C. Já em 2023 e 2024, uma seca severa elevou as temperaturas em até 7% acima da média, resultando em perdas de aproximadamente 20% na produtividade agrícola.

Eventos recentes reforçam esse cenário. Em Santa Catarina, pescadores relataram a morte de até 90% das ostras devido ao aumento da temperatura do mar, que chegou a 34 °C em Florianópolis. No Rio Grande do Sul, o estresse térmico afetou animais em mais da metade do tempo durante o mês de fevereiro, com potencial de reduzir a produção de leite em até 30%.

As consequências chegam ao consumidor. Em 2024, a inflação dos alimentos ultrapassou 7%, impulsionada, entre outros fatores, pelas perdas no campo. Produtos sensíveis às variações climáticas, como café, tomate e hortaliças, estão entre os mais impactados.

Diante desse cenário, instituições como a Embrapa investem no desenvolvimento de cultivares mais resistentes ao calor e em tecnologias de cultivo adaptadas às novas condições climáticas. Ainda assim, especialistas apontam que os desafios são crescentes e exigem adaptação contínua do setor agropecuário.

O relatório reforça que o aumento das temperaturas não é uma ameaça futura, mas uma realidade já instalada, com efeitos diretos na produção de alimentos e na economia global.